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Sobre coisas que só acontecem comigo
 Acho que entrei na fila das bizarrices azaradas. Devo ter entrado duas vezes, talvez três ou quatro. Porque determinadas coisas só acontecem comigo e mais ninguém. Já fiz 13 pontos na loteria e meu pai não jogou, a parte de cima do biquini já desamarrou em pleno campeonato de surf lotado, já tomei banho de chope no primeiro encontro... Enfim, a lista é imensa... Domingo de Sol em pleno feriadão, antes de começar meu plantão, resolvi dar umas pedaladas na ciclovia. É claro que alguma coisa tinha que dar errado. Desta vez, fiquei presa no elevador durante 50 minutos! Moro num prédio antigo, pequeno, sem corredor, onde eu fecho a porta do elevador que dá para o meu apartamento. O elevador tem uma porta pantográfica que abre ambos os lados para os dois apartamentos. Ou seja, se o elevador social pára num andar que não é o meu, não tenho como abrir a porta e ir pela escada. A não ser que um vizinho faça a gentileza de abrir a porta para que eu possa – entrando pela casa dele - sair pelo elevador de serviço. Enfim, se o vizinho não estiver em casa, vou permanecer trancada até a chegada do técnico. Que foi o que aconteceu. Hoje descobri que moro num prédio fantasma, cujos ocupantes além de minha família, é um casal muito simpático que tem sotaque do Sul, a empregada da vizinha do apartamento da frente (acho que só tem ela, porque nunca vi a vizinha), e uma husky siberiana cega, gorda e velha que sai sempre para passear com uma jovem loura e simpática. Mas, claro, hoje não havia absolutamente ninguém no prédio! Fiquei 50 minutos tentando, inutilmente, tocar a campainha dos vizinhos de 8 andares acima do meu, porque o elevador subia, mas não descia! E o porteiro apenas me avisava que não morava ninguém. Como assim? Moro numa das ruas mais movimentadas de Copacabana! Como não mora ninguém?? Nem um velhinho sequer? Nem uma viúva cheia de gatos? Uma velhinha rabujenta que estivesse vendo o Sílvio Santos no domingo? Não é possível! Achava ótimo não ter vizinhos embaixo e em cima do meu apartamento. Com filhos, há sempre alguém que reclame. Mas, confesso, achava muito estranho ter vaga sobrando na garagem em plena Barata Ribeiro! E tem várias! Uma vez, comentei com meus filhos, que nunca tinha visto nenhum vizinho, embora já tivesse visto duas mudanças. E que não sabia o motivo de ninguém usar o elevador social. Enfim, agora eu sei porque ninguém usa o social! E vou ficar de olho... Toda vez que o porteiro me avisava pelo interfone que não havia morador no 701, 702, 801, 802 e por aí vai, me dava um friozinho na espinha. Lembrei de vários filmes de terror... Agora vou ficar de olho quando entrar um novo morador. Talvez eu acenda uma vela...
Escrito por Luciana Barcellos às 18h01
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