Que tipo de cidadãos estamos formando?
O Colégio de Aplicação da UFRJ é referência em ensino no Brasil. Está sempre na lista entre os 10 melhores colégios públicos do País e na concorrida lista dos 10 melhores colégios do Rio (incluindo cursinhos e colégios particulares, e sempre se revezando nas primeiras colocações com colégios tradicionais como o São Bento e o Santo Agostinho). Bem, o ensino é inquestionável, assim como o comprometimento e a disponibilidade dos profissionais. Meu filho mais velho teve a sorte de ser sorteado e estuda lá. Fiquei muito feliz quando vi o nome dele na lista dos que tiveram a sorte de entrar lá no primeiro ano do ensino fundamental. E tenho muito orgulho do Cap. É um exemplo de que é possível ser público (no caso, federal) e ser ótimo. Mas, de uns tempos para cá, começaram a ocorrer pequenos “sumiços” no colégio. Furtos dentro de sala de aula. Semana passada, “sumiram” com um Nintendo DS de dentro da mochila do meu filho. Sim, ele errou em levar o presente que ganhou de aniversário para o colégio. Alertei várias vezes para não levar. Na sexta, ele chegou em casa aos prantos. Fora roubado dentro de sala de aula. Num primeiro momento, os sentimentos de tristeza, raiva e frustração se unem. - Falei tanto para não levar... Por que me desobedeceu? Eu disse, eu disse... Se não tivesse levado... Mas, num segundo momento, comecei a me questionar sobre o que realmente estava certo e errado nesta situação. Meu filho me desobedeceu e errou. Fiquei muito chateada por isso. Mas, ROUBAR É ERRADO. É certo confiarmos que nossos filhos estão seguros nos colégios que estudam. É certo também que os colégios são responsáveis por nossos filhos nos períodos em que eles se encontram dentro da escola. É certo que os colégios além de ensinar, têm como função formar cidadãos. Mas que tipo de cidadãos estamos formando se atos assim acontecem dentro de um colégio? Dentro de um espaço de formação? Dentro de uma sala de aula? É óbvio que o colégio não está só nesta empreitada. Não mesmo. Se uma criança chega em casa com um objeto que não é seu, os pais não podem achar que aquilo é normal. Eles têm que mostrar que está ERRADO. Se não o fazem SÃO CONIVENTES com este tipo de delito. Acreditar no “achei pai” é ensinar ao filho que pode tomar posse de uma coisa que não lhe pertence. Estes pais estão muito mais errados do que o filho que roubou o objeto do amigo. Que tipo de exemplo está sendo dado se “ok, meu filho, que sorte você teve”? Ou compactuar com o discurso do "achado não é roubado?" O CERTO não é devolver o que não é seu? Ouvi o seguinte comentário de uma pessoa : - Crianças nessa idade, às vezes, agem desta forma. Desta idade? Dez, 11, 12 anos? Se crianças que estudam num dos melhores colégios do País ainda não sabem que roubar é errado, quando vão descobrir? Agora, realmente o que fica martelando na minha cabeça é o que pensam os pais... Será que não percebem que o seu filho “não se deu bem”? Seu filho está indo por um caminho errado, o lado errado da força? Seu filho cometeu um ROUBO! E que se não o repreende, está ensinando ao próprio filho que roubar é certo? QUE TIPO DE EDUCAÇÃO ESTAMOS DANDO EM CASA? Bem, esse post é um desabafo. Estou muito chateada com essa situação e prometi ao meu filho que vou me manifestar de todas as formas. Já fui ao colégio ontem. Vou hoje novamente. O que não vou deixar é que fique por isso mesmo. Vou mostrar ao meu filho que a gente TEM SIM que brigar pelos nossos direitos. E não é pelo valor do objeto, mas pela falta de respeito. E por querer ensinar que não podemos nos calar diante de injustiças. Ele pode não recuperar o jogo que roubaram, mas vai aprender uma lição. Quem passar por aqui comente. Se puder divulgue. ROUBOS NÃO PODEM ACONTECER DENTRO DE UM COLÉGIO. QUE TIPO DE CIDADÃOS ESTAMOS FORMANDO?
Escrito por Luciana Barcellos às 08h44
[]
[envie esta mensagem]
[link]
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|