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Sobre superstições

Sou uma supersticiosa atípica. Não tenho o menor problema com gato preto. Aliás, já tive vários. Não desvio por causa de escada e recolho os cacos do espelho normalmente quando quebro algum. Uso roupa preta na sexta-feira, não me benzo ou lavo o pé com água benta quando tropeço numa macumba. Corro na areia de Copacabana. Ou seja, quase impossível não pisar numa macumbinha de vez em quando, chutar uma maçã ou uma palma. Não gosto de santinhos e não uso amuletos esquisitos só porque dizem que vão me dar sorte. Para mim, é tudo bobagem. Não acredito em nada disso. Ah, sim... Sou Botafoguense, o que por si só já depõe contra. Botafoguenses são supersticiosos natos. Enjoados. E eu não fujo à regra. Estou usando uma fitinha vermelha do Bonfim no pulso, amarrei com três nós e fiz os meus três pedidos como reza a lenda. Gosto de achar que uma fitinha colorida vai me dar muita sorte e resolver todos os meus problemas. Ou me dar aquele desejo acalentado há muito tempo, me proporcionar um sonho impossível e me dar aquele presentão que eu tanto almejo embrulhadinho num laço de fita bem bacana. Acho bonitinho pensar assim. Já usei várias fitinhas. Confesso que não me lembro se já fui atendida. Já não sei quais foram os pedidos que fiz desta vez. Mas tenho certeza que foram importantíssimos. Enfim, uso porque gosto e acho bonito. Dá sorte? Não sei. Mas gosto de imaginar que sim. Gosto das fitinhas assim como adoro olho turco. Meus brincos de olho turco, por exemplo, têm um significado e uma importância enormes para mim. Sim, acho que eles me protegem. Bobagem? Claro. Mas eu gosto de achar que estou protegida por essas bolinhas azuis. Mas têm algumas coisas que eu não acredito mesmo. Também não vou usar outras porque dizem que vai me fazer bem. Se eu não levo fé, não adianta. Vamos combinar que branco, por exemplo, é uma cor que não favorece. Principalmente agora no inverno quando todos estão pálidos e fora de forma. Já usei vestido branco na sexta-feira e voltei para casa imunda depois de tomar um banho de lama e chuva. Com certeza a cor não me ajudou em nada. Uso branco no reveillón, assim como já usei amarelo, verde e até vermelho. Não preciso dessas superstições populares porque tenho minhas próprias superstições. Sim, eu crio as minhas. Coisas que para muitos não dizem nada, para mim dizem muito. Como ver um raio de Sol escondido atrás de numa nuvem negra e carregada. Ou ver um arco-íris, ou uma borboleta voando depois de um dia muito difícil, por exemplo. Pode parecer bobagem. Para mim é como se fosse um sinal de que as coisas vão melhorar. Aquilo passa a ter uma força e acaba tornando-se uma superstição pessoal. Tenho certeza de que ver uma borboleta azul traz sorte. Beija-flor também. Pode não trazer uma sorte enorme. Posso não acertar na megasena. Mas, com certeza, aquele dia difícil fica mais bonito. Para mim, já basta.
Escrito por Luciana Barcellos às 17h39
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