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    Uma gata bipolar

    Enquanto a chamada é completada, a minha mão treme e a perna arde.

    - Olá, boa tarde. Por favor, poderia falar com um veterinário?

    - Pois não, pode falar.

    - Bem, é que estou com uma gata que está no cio e eu queria saber se há

    algum remédio...

    - Mas, minha senhora, cio não é  doença.

    - Sim, eu sei. Mas eu fui atacada, estou com a perna sangrando,

    cheia de mordidas e arranhões. Tenho que castrá-la na emergência?

    - Não, não é recomendado agora. E é normal que a gata fique agressiva nessa fase.

    - Ela está mais do que isso, está bipolar. Estava me lambendo antes de me atacar. Depois ficou toda ouriçada emitindo sons esquisitos.

    - Às vezes, as gatas têm esse tipo de comportamento. O ideal seria arrumar um gato.

    - Mas onde vou arrumar um gato? Eu estou trancada no quarto, tremendo, apavorada e com medo de ser atacada novamente.

    - Maracujina pode resolver.

    - Olha, eu sei que estou nervosa, mas eu quero resolver o problema da gata, não o meu.

    - Mas estou sugerindo a Maracujina para a gata. Quando não tem um gato, a Maracujina pode ajudar.

    ... 

    Esse episódio é real. Aconteceu no fim de semana. Estou com a perna toda mordida e arranhada e ganhei uma bela mancha roxa ao tentar fugir. Enquanto escrevo, a Cafeína está roçando no meu pé, como se nada tivesse acontecido.

    Ah, e quanto à Maracujina... Eu que tomei. 



    Escrito por Luciana Barcellos às 20h08
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    Sobre escolhas

    Se o vestibular não tivesse sido anulado por causa de

    fraude no ano que fiz, provavelmente eu teria passado na UFF.

    Mas houve a fraude, e não quis perder o show do Supertramp no

    dia anterior da nova prova. Peguei a maior chuva da minha vida.

    Dormi pouco e há anos não escuto o Supertramp.

    Se eu não fosse tão ansiosa, talvez tivesse aproveitado mais.

    Se eu tivesse parado de fumar mais cedo, estaria com mais fôlego.

    Se eu fizesse mais exercícios, estaria com um corpão.

    Se eu tivesse dito mais sim...

    Se eu tivesse dito mais não...

    Talvez teria sido diferente.

    Enfim, toda escolha pressupõe uma perda.



    Escrito por Luciana Barcellos às 01h27
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