Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, Mulher



Histórico


    Votação
     Dê uma nota para meu blog


    Outros sites
     Sobre tudo
     The Daudili Times
     Bibi de bicicleta
     Na prateleira da sambeira
     Etverdade
     Amigos do Rafa
     Skina Poética
     Neurótico autônomo
     Meus Brinquedos Antigos
     São Paulo que ninguém vê
      Pekna
     Disco Compacto


     
    Enfim...


    Sobre o meu primeiro mês na Tijuca

     

     

     

    Adoro mudanças. Além de dar aquela faxinada na vida, a novidade e a descoberta são sempre muito prazerosas para a minha alma cigana. Depois de morar no Catete, em Copacabana, Laranjeiras, Santa Teresa, e um tempinho barcellando em Icaraí, agora foi a vez da Tijuca. Além da mobilidade, queria morar num lugar que tivesse tudo perto e me sentisse local. Confesso que mesmo após um mês, ainda estou bem longe de me sentir local, embora já tenha ido ao Momo algumas vezes e outras tantas ao Mundial. Mas ainda me sinto uma ET sempre quando tento me localizar.     

    Aí tenho que abrir um parágrafo para tentar explicar minha total falta de orientação geográfica. Só frequentava a Tijuca para ser feliz e esquecer da dieta no Momo, tomar um chopinho com as amigas do trabalho no Buxixo, e o restante - e ampla maioria - para ir à dentista, local onde sempre vinha de metrô. Ou seja, só conhecia a Tijuca alcoolizada ou anestesiada.

    Por isso, obviamente, não tinha como conhecer a José Higino, a Santo Afonso, ou a Barão de Bom Retiro, apenas para citar algumas ruas que perguntei "estou perto da Praça Saens Peña?", recebendo em troca um olhar incrédulo e por muito pouco uma surra. Ah, sim, se você também é desorientada como eu tijucamente, a principal recomendação é: estude minuciosamente o mapa da Tijuca e decore todos os nomes das ruas antes de perguntar qualquer coisa a um tijucano. E nunca, nem sob tortura, pergunte "onde fica o Mundial?", "a Desembargador Isidro fica perto da Praça Saens Peña?", ou "para que lado fica o Maracanã?". Se estiver desorientada, ligue o waze, ou diga logo que é de outra cidade, como eu faço, já engolindo todos os xxxx, e resgatando meu sotaque macaense.

    Tudo que dizem sobre tijucano é a mais pura verdade.Tijucanos são bairristas ao extremo, não aceitam que não conheçam o bairro e acham que você é metida ou está zombando ao fazer perguntas tão imbecis. Tenho sofrido bullying sempre em que me meto a ir além para aumentar o Perímetro da Praça. Ah, sim, esqueci de dizer: minha referência é a Praça Saens Peña. Só sei andar por aqui.                

    Mas tirando o bairrismo dos tijucanos, estou adorando conhecer o bairro. Hoje, fui bater perna e tive o prazer de descobrir que além da Casa Pedro, onde posso comprar aquelas delícias, tenho uma Kopenhagen, onde posso tomar meu capuccino orgasmático a uma quadra, um salão com profissionais da L' oréal com corte a R$19 (que ainda vou conferir), promoção de manicure a R$30 (mas que não chegam nem aos pés da Janete), uma rua inteira com plantinhas fofas, um centro kardecista na esquina (que também está na minha lista para dar check-in), uma feira ótima, e uma padaria que deve ser boa porque tinha uma fila imensa, mas que fiquei com preguiça de enfrentar. Gostei. E eu ainda nem "subi a Conde de Bonfim"! Tijucar está sendo um prazer. Para mim, a Tijuca é uma Copacabana sem praia, uma Icaraí sem o Campo de São Bento.



    Escrito por Luciana Barcellos às 22h12
    [] [envie esta mensagem] []



    Sobre soltar pipa

     

    Fui muito moleca quando criança.

    Brincava com minhas Susies e os meus gatos, pedalava por toda a Imbetiba com a minha Monark, inventava histórias e encenava teatrinhos para uma plateia imaginária debaixo do pé de carambola...

    Mas uma das coisas que mais gostava era quando ia para a casa dos meus primos.

    Lá, as Susies saíam de cena e davam lugar aos Falcons, aqueles soldados barbudos. Acho que a minha paixão por barba deve ter começado ali.

     

    Brincávamos de casinha também. Eu adorava ser a única menina entre os quatro.

    Também, por várias vezes, fui a cobaia. Ganhei muitas marcas na perna por causa disso.

    Tenho uma cicatriz no pé direito até hoje por causa de um prego, de uma das criações de Kit (apelido do meu primo, Cristiano).

     

    Lembro de quando pegávamos a bicicleta do meu tio, que eu só conseguia pedalar em pé, porque minha perna não dava altura,

    e descíamos o morro de barro, próximo da casa, com o freio pedal. É claro que me estabaquei diversas vezes.

     

    Também adorava quando íamos todos na Rural do meu tio catar pitanga na Lagoa de Imboassica.

    Gostava de ir lá. Não pela lagoa em si, que eu tinha nervoso do fundo com lodo e não gostava da água doce, mas por estar com eles.

     

    E morro de saudades de quando os acompanhava para soltar pipas. Eu "não era boa porque era menina".

    Sim, na época, soltar pipa era brincadeira de menino.

     

    Não tinha nenhuma amiga que soubesse ou já tivesse soltado pipa.

    Assim como as meninas não jogavam bola ou não jogavam boleba (ou bola de gude como é mais conhecida).

    Também não sabia jogar "por ser menina".

     

    Mas gostava de tentar, principalmente quando era para soltar pipa.

    Na época, as pipas prontas eram caras, então fazíamos a pipa.

    Desde comprar o papel e a armação, até a cola, que era um grude feito com amido ou farinha, ou algo do tipo.

     

    Enfim, soltar pipa é uma arte. Uma arte que, metaforicamente, serve também para a nossa vida.

     

     

    Quanto mais linha você der, mais alto a sua pipa voará.

    Mas, se a pipa não foi bem feita, e a linha chegar ao fim, ela pode desprender totalmente do carretel.

    A pipa vai voar para bem longe. Voará tão alto, como nunca voara antes.

    Leve, solta e ... Livre! E você vai perder a sua pipa. Para sempre.

    Essa é uma regra básica. Se for dar muita linha, tenha cuidado.

    Quem já soltou pipa sabe bem qual é o limite da linha. Porque as pipas voam. E podem nunca mais voltar.

     



    Escrito por Luciana Barcellos às 11h41
    [] [envie esta mensagem] []



    Sobre um sambinha, um amor e cinco anos de amizade

    Há cinco anos, conheci dois caras especiais que mudaram a minha vida.

    E só me trouxeram coisas boas.

    Fazem parte do resto feliz.

    Um, é um amigo-irmão.

    Daqueles que sei que posso contar a qualquer hora:

    na alegria, na tristeza, quando me falta ar e nos momentos de S.O.S.

    Tornou-se o amigo pau-pra-toda-obra, que enxuga minhas lágrimas,

    levanta minha autoestima, me faz rir, comemora comigo os momentos felizes.

    E sempre me traz de volta à Terra quando eu voo por aí.  

    O outro também é especial.

    É como um anjo que, de repente, apareceu na minha frente.

    E veio com uma linda missão: me resgatar.

    Com ele, reencontrei sentimentos perdidos há muitos e muitos anos.

    Achava que nunca mais iria encontrá-los.

    Ele, também, me fez descobrir sentimentos novos.

    E despertou um lado que eu mesma desconhecia.

    E adorei conhecer...

    Enfim, ele me fez sentir.

    ...

    São cinco anos...

    Embora eu já tenha falado inúmeras vezes,

    acho que eles não têm noção do quanto são importantes para mim.

    Provavelmente, não dão o mesmo valor que eu dou.

    Mas isso não me importa.

    O que importa é que ambos são especiais.

    Eles tornaram a minha vida mais doce.

     

     

    E serei eternamente grata por isso.


    Ps: o sambinha é lembrança interna e assunto para um outro post.



    Escrito por Luciana Barcellos às 17h16
    [] [envie esta mensagem] []



    Um sopro blindado


    Quando era criança, adorava pegar uma flor dente-de-leão seca e soprar suas sementes para que flutuassem ao vento.

    Quem nunca gostou de fazer isso?

    Ver as sementes ao vento

    Semeando novas flores pelo jardim.

    Durante a maior parte da minha vida, eu me definiria como uma dente-de-leão seca.

    Que se despedaçava em várias partes ao menor toque.

    Tão suave e tão frágil.

    Acho que a fragilidade exacerbada me obrigou a mudar, porque nem sempre as sementes caíam em solo fértil.

    A vida nos impõe mudanças.

    Na natureza é a evolução das espécies.

    Entre os humanos é simplesmente uma forma de proteção.

    Com o passar do tempo, tive que criar uma casca para me proteger.

    Para ser forte tive que me blindar.

    Essa blindagem, obviamente, tem um lado positivo.

    Se não me protegesse, corria o risco de me despedaçar.

    E juntar as pétalas-sementes-secas nem sempre é possível.

    Diria quase impossível.

    Estar blindada me protegeu de vários sopros.

    Em vários momentos, a vida ficou mais fácil.

    Mas a blindagem não só nos protege.

    Ela nos deixa mais resistentes.

    Mas, algumas vezes, pode nos deixar resistentes demais.

    E ela também pode nos fechar para alguns sentimentos.

    Enfim, todo bônus tem seu ônus.

     

     

     



    Escrito por Luciana Barcellos às 23h48
    [] [envie esta mensagem] []



    Sobre cães e gatos

     

    Dia de vacinação pública é sempre estressante para quem tem gato. O maior estresse para mim, no entanto, não é a vacina em si, mas o percurso até chegar ao posto. E a permanência no local. Há sempre um carro barulhento e um cachorro inconveniente que não para de latir.

    Embora a Sofia não goste do barulho da rua, o instinto curioso dos felinos fala mais alto, e ela fica o tempo todo com a cabecinha para fora da cat bag.

    Desta vez, ela não se conteve. Meteu o carão para fora e arregalou os grandes olhos verdes:

    - Sofia, para de dar pinta, tem um monte de cachorros aqui.

    - (Cochicha) Eles são tão esquisitos...

    - Sofia, para de olhar assim...

    - Olha aquele ali... Tão grande, mas tão bobo...

    - É um Labrador. É uma característica da raça.

    - Nossa, e aquele outro, todo encaracolado? Tão inconveniente: pula, late, abana o rabo sem parar... Chatinho...

    - Sofia, é um Poodle. Essa raça é assim mesmo, sem noção. Eles nunca sabem quando estão incomodando.

    - Ele é hiperativo?

    - Sofia, para.

    - E aquele todo escandaloso? O que é aquilo? Tão feinho, coitado, parece um morcego.

    - É um Pinscher. Sofia, para, ele pode implicar com você.

    - Mas por que todos os cachorros estão latindo? A vacina nem doi. Nem miei...

    - Sofia, você é uma gata. E os felinos são discretos, educados, chiques... É uma outra civilização, uma outra cultura.

    - Mas por que eles latem sem parar?

    - Sofia, eles são cachorros! E cachorros gostam de chamar atenção. Devem ser carentes, sei lá.

    -Ihhh, olha aquele lá!! Está fazendo caquinha na calçada!!!! Cruzes, que nojo!! Será que ele não sabe que caquinha é só na caixinha?

    - Sofia, cachorros não sabem usar a caixinha. Fazem as necessidades em qualquer lugar.

    - Nossa, que bichos sem educação! E por que os donos não ensinam?

    - Acho que eles não são tão espertos, ou não conseguem aprender. Não são tão limpos quanto os gatos, ou os donos não sabem ensinar, sei lá.

    - E os donos têm que andar com um saquinho recolhendo o cocozinho?

    - Sim. Tem até Lei para isso.

    - É mesmo? Jura?!! Tem uma Lei que obriga os donos a recolherem a caquinha do cachorro????

    - Tem, Sofia. Alguns donos são tão sem noção quanto seus cachorros. Por isso, o Estado tem que fazer Leis para ensiná-los e educá-los também.

    - Enfim, os cachorros latem sem parar, são chatos, pulam, fazem escândalo, não sabem usar a caixinha, fazem caquinha na rua e obrigam os donos a recolher...  Deve ser tão inconveniente ter um desses, não?

    - É verdade. Deve ser terrível! Por esses e vários outros motivos que eu tenho você.

     

    - Miauuuuu..



    Escrito por Luciana Barcellos às 09h39
    [] [envie esta mensagem] []



    Sobre um certo olhar

     

     

    Sabe quando algo fica marcado na sua memória?

    Pode ser um gesto, um sorriso, um aperto de mão,

    uma gentileza, uma lágrima, uma situação qualquer.

    Não importa.

    Pode até não ser uma imagem boa.

    Pode ser triste.

    Ou pode ser um susto.

    Não importa o que, como, ou com quem.

    Pode ser com um estranho.

    Ou com alguém que mesmo sendo completamente desconhecido, te marca de uma forma qualquer.

    Podemos até relembrar do olhar ou do susto, enfim, dessa imagem do que aconteceu por algum tempo.

    Ou podemos esquecê-la rapidamente.

    Ela também pode ficar ali no nosso HD interno à espera de que, em algum momento, seja relembrada, resgatada e reativada.

    Enfim...

    Há exatamente 20 anos presenciei uma situação que me marcou muito.

    Um cara que eu não conhecia, passou muito mal e foi levado para o hospital.

    Foi durante uma greve.

    Nunca mais o vi. Achei que tivesse morrido. 

    Enfim, o tempo realmente nos prega peças...

    E, às vezes, pode nos oferecer boas surpresas...

    As marcas, provavelmente de tempos difíceis, não me deixaram reconhecê-lo num primeiro momento.

    Mas bastou ouvir o relato sobre o incidente ocorrido com ele no passado, que para ele também foi muito marcante, que aquela imagem reapareceu em minha memória.

    Nítida e com detalhes.

    Foram 20 anos.

    Mas o olhar continua o mesmo.



    Escrito por Luciana Barcellos às 21h07
    [] [envie esta mensagem] []



    Sobre perdas...

    Do último texto até agora tanta coisa aconteceu na minha vida que ainda estou processando. Algumas coisas foram mais fáceis de enfrentar, outras nem tanto. Perdas e ganhos. Muito mais perdas do que ganhos, é verdade.

    Pior do que tudo é perder algo que para mim era tão raro e importante. E especial. E foi tão... Enfim...

     

    Por mais que procure o melhor restaurador que exista, ele não vai conseguir juntar os cacos que sobraram. Tanta mágoa e ressentimento que é impossível restaurar... Vai sempre faltar uma peça...

     

    Já estou me acostumando a enfrentar situações difíceis. Na minha vida elas normalmente nunca chegam sozinhas. Comigo sempre estão acompanhadas por outras igualmente ruins ou até piores. Desta vez foram três...

       

    Mas, tenho certeza de que é possível tirar alguma coisa boa desses momentos ruins. Na pior da hipótese, não seguir pelo mesmo caminho para não correr o risco de topar novamente naquela pedra e me machucar, ou, quem sabe, não ser tão transparente, usar máscaras como todos fazem normalmente, porque a vida cobra – e caro – de quem não consegue ser assim.

     

    O fato de virem três coisas ruins juntas acabou dividindo a dor. Diluiu. Talvez o problema – que muitos devem até achar que é mais grave – está sendo mais fácil de enfrentar, já que as outras perdas estão sendo infinitamente mais dolorosas para mim.

    Em um mês eu vivi momentos tão doces e tão amargos...

     

    Enfim, como não quero, nem vou ser uma pessoa rancorosa e amargurada, só vou guardar os doces.

     

    Porque só eles merecem ser guardados.

     



    Escrito por Luciana Barcellos às 11h04
    [] [envie esta mensagem] []



    Sobre reEncontro

     

    Há um tempinho tento exaustivamente encontrar o amor.

    Cheguei a forçar a barra algumas vezes para achá-lo.

    Mas não tinha um GPS confiável.

    Nos momentos mais solitários e depois de muitos tropeços, algumas capotagens e passagens pela U.T.I.,  ouvia sempre de uma amiga uma frase recorrente para consolar minhas incursões frustradas:

    “às vezes, o amor acontece quando e com quem a gente menos espera”...

     

    Descobri recentemente que essa frase é a mais doce e pura verdade!

     

    Já estava meio sem expectativas. Algumas feridas custam a cicatrizar, e nos deixam sem coragem, outras nos tornam “fortes” demais, ou fossilizados.

    Cheguei a achar que nunca mais iria sentir aquele momento mágico, quando duas pessoas se olham e como num “encantamento” percebem que estão na mesma sintonia e dispostas a viver o mesmo sentimento.

     

    Também achava que nunca mais iria encontrar um homem que quisesse compartilhar, rir, se emocionar, viver intensamente e se jogar comigo.

    Mergulhar na água sem saber a profundidade ou se preocupar se está fria.

    Sem medos.

     

    Recentemente, reencontrei um amigo que eu não via há mais de 25 anos, com quem vivi “uma paixonite na adolescência” - como ele mesmo disse, já com o rosto rubro e totalmente sem graça.

     

    Para minha surpresa, aquele adolescente exageradamente tímido de outrora, se transformou num homem sensível e apaixonante.

     

    Em algumas horas de conversa numa tentativa mútua de resgatar o tempo perdido, éramos os melhores amigos de infância novamente.

     

    Foi como se o tempo não tivesse PASSADO para nós.

    Ou, MELHOR, como se o tempo, finalmente, tivesse CHEGADO para nós.

     

    Enquanto escrevo, após várias declarações carinhosas, músicas, poesias e planos de viagens, lágrimas escorrem suavemente dos meus olhos...

     

    Enfim...

     

    Desta vez são de felicidade.

     

     



    Escrito por Luciana Barcellos às 00h08
    [] [envie esta mensagem] []



    Afinal, o que querem os homens?*

     

     

    Nunca me dei bem ao tomar a iniciativa numa conquista.

    A primeira vez que consegui superar minha timidez para isso,

    era uma adolescente magrela e peituda. Tinha 15 anos.

    E era extremamente virgem. Chamei um menino que “azarava” (para usar uma gíria da época) para sair.

    Ele disse não.

    Fiquei tão traumatizada com o fora, que só fui passar

    por essa experiência novamente mais de 20 anos depois.

     

    E continuo não me saindo bem.

    Além de ter a certeza absoluta de que não agradei

    nas raríssimas vezes que “parti para o ataque” (para usar uma expressão de hoje), e minha autoestima ficar no pé, obviamente

    comecei a achar que também não sei “paquerar ou cortejar”.

     

    Já me disseram que sou muito sutil e discreta

    nas minhas “investidas”. Aqueles sinais que para mim

    são uma tatuagem na minha testa dizendo:

    “você é um cara incrível e estou muito a fim de você”,

    só têm essa conotação para mim.

    Eles não entendem que aquele convite para um chope,

    um almoço, o teatro, ou aquele comentário simpático,

    o olhar especial, a risada, o abraço mais forte...

    tem segundas, terceiras e quartas intenções.

     

    Também já ouvi que sou transparente demais,

    falo além da conta e tenho “o péssimo hábito”

    de dizer o que estou sentindo.

     

    Conselhos e explicações não faltam:

    “Jamais diga que gosta dele antes que ele tenha dito para você”;

     “Homens não gostam de mulheres que demonstram emoções”;

    “Eles odeiam torpedinhos ou mensagens carinhosas”;

    “Homens gostam de conquistar e ficam incomodados com o caminho inverso”...

     

    Enfim.... homens não gostam dessas coisas.

     

    Como agir então? O que fazer para mostrar que estou interessada,

    sem ser discreta demais e ele achar que sou apenas legal,

    ou extremamente simpática ou, pior, uma amiga gente boa?

     

    Como não posso dar um GPS com meu nome e endereço

    gravados, o que fazer para chamar atenção sem exagerar?

     

    Outro dia, para meu desespero, ouvi de um amigo

    que os homens se sentem intimidados com mulheres independentes 

    ou "que tentam ocupar uma função que é deles".

     

    Como assim? Trabalho horrores, dou um duro danado

    para pagar as minhas contas sozinha.

    Pago meus impostos, a CEG, a Light, a NET,

    o aluguel, os cartões de crédito... Mas...

     

    Eles não gostam de mulheres independentes???!!!!  

     

    Afinal... o que querem os homens?

     

    *Se alguém souber a resposta, por favor, me avise.



    Escrito por Luciana Barcellos às 00h01
    [] [envie esta mensagem] []



    Fora de foco

    Não capto tudo ao meu redor.

    Tem coisas que passam.
    E não vejo.

    Percebi que só enxergava o que estava
    muito distante de mim.
    Aquilo que não conseguiria ter nas minhas mãos.
    Tão longe.
    Inalcançável.
    E, aparentemente, tão nítido.
     
    Não vejo o que está debaixo do meu nariz,
    gritando na minha frente.
    Simplesmente não enxergo.
    Tão próximo.
    Alcançável.
    Mas, para mim, sem nenhuma nitidez.
     
    Percebi que tenho que ajustar meu foco.
    Porque não adianta querer ver o que está longe.
    Preciso enxergar o que está perto.
     
    Enfim, tenho que resolver a minha hipermetropia.



    Escrito por Luciana Barcellos às 00h57
    [] [envie esta mensagem] []



    Sobre o dia 12 de junho

     

     

    Este ano, vou passar o Dia dos Namorados muito bem e em ótima companhia.

    Contei isso a uma amiga, quando me ligou com aquela pergunta de sempre:

    - E aí Lu, preparada para passar mais um Dia Sem Namorados?

    - Não, querida, não vou estar sozinha.

    - Jura?

    - Sim. Aliás, cheguei à conclusão que essa coisa de apenas um é muito pouco. E, cá entre nós, homem perfeito não existe:

    Ou é bom de papo, ou é bem-humorado, ou é inteligente, ou adora pedalar, ou cozinha bem, ou é bom de garfo, ou ama um cineminha, ou adora uma cervejinha com os amigos, ou curte um vinho, ou nos acolhe, ou é um charme, ou faz os mesmos programas que a gente, ou é ótima companhia, ou beija bem...

     

    Mas reunir tudo num só, a gente sabe que é complicado...

    Enfim, por isso decidi que este ano vou passar com vários!

    - Há mais de um??!! 

    - Sim! Um para cada ocasião. Há até uma programação:

    Para começar, enquanto estarei na cozinha preparando uma comidinha especial, chamei o Sting. Mas o Elton e o Eric também foram convidados.

    Depois vou tomar um banho bem caprichado com o Paul.

    Como estou numa fase de resgate e volta às raízes, pensei em beber uma cervejinha com o Alceu, o Geraldo e o Lenine.

    Em seguida, vou assistir a um DVD coladinha com o Ricardo.  Sabe, o Darín? Adoro esse jeito latino dele. Acho um charme. Mas tô na dúvida se chamo o Clint e o Hoffman também. Obviamente, não vou deixar de fora os bonitões como o Depp e o Downey Jr.

    E, finalmente, vou para a minha cama. E lá, quem reina absoluto, me dá prazer e está sempre ali do meu lado, é o meu queridinho, o Gabriel.

    Mas, enquanto ele estiver me satisfazendo e me saciando com suas histórias fantásticas, o Nando vai cantar bem baixinho no meu ouvido.

     

    Enfim, quem disse que não estarei muito bem acompanhada no dia 12?



    Escrito por Luciana Barcellos às 10h06
    [] [envie esta mensagem] []



    Sobre sinais

     

    Acredito que determinadas coisas acontecem ou se apresentam nas nossas vidas como uma espécie de sinais. Surgem para nos mostrar algo.

    Minha fitinha vermelha do Senhor do Bonfim partiu há alguns dias. Não me recordo quais foram os pedidos, tampouco se foram atendidos.

    Coincidentemente, na mesma semana, minha tornozeleira arrebentou. Era simples, com flores bem delicadinhas. Mas a adorava e não a tirava por nada. Só quando usava bota ou meia-calça.

    Ela já havia arrebentado outras vezes, mas em casa e sempre conseguia consertá-la.

    Desta vez soltou-se na rua. Num cruzar de pernas atrapalhado, não só partiu, como me feriu deixando o sangue escorrer por meu tornozelo.

    Entre as pedras portuguesas da calçada junto com a pressa do atraso, não consegui avistá-la. Cheguei a refazer o percurso no dia seguinte. Em vão.

    Pode ser uma simples coincidência. Mas fiquei extremamente impressionada por duas coisas - as únicas - que não tirava do corpo e me acompanhavam há tanto tempo terem arrebentado na mesma semana. Sobretudo a tornozeleira. Não só arrebentara, como deixara uma ferida em mim.

    Como se fosse um aviso de alguma coisa. Um adeus. Um presságio. Ou um anúncio de que o tempo de ambas passara.

    Pode parecer bobagem para muitos. Não me importo.

    Para mim, a perda abrupta de duas coisas queridas que me acompanhavam há tanto tempo foi um clique. Assim como a ferida que ficou e a marca do sangue escorrendo por meu tornozelo.

    Quem sabe minha tornozeleira já cumprira a missão dela?

    Quem sabe não está na hora de deixar meu tornozelo livre?

    Quem sabe não está na hora de achar uma outra tornozeleira tão apaixonante quanto a antiga?

     

    Enfim... Acho que é um sinal de que é hora de mudanças.

     

    ...

     

    Ps: Infelizmente não achei nenhuma foto da minha tornozeleira. Só peguei essa imagem para ilustrar



    Escrito por Luciana Barcellos às 02h57
    [] [envie esta mensagem] []



    Sobre ser Luciana

     

    Para quem nasceu no início da década de 70, não foi nada fácil ser Luciana. O nome nada comum hoje em dia, exceto por uma ou outra personagem de novela, era moda na época. Em 69, as rádios tocavam duas músicas, Luciana e o mar, de Rildo Hora, gravada por Cyro Monteiro e, a mais famosa, Cantiga por Luciana, cantada por Evinha, vencedora do 4 Festival Internacional da Canção. Embora nenhuma das duas hoje em dia seja muito lembrada, toda menina que nascia era chamada de Luciana. E toda Luciana que nasceu nessa época, como eu, foi por causa de uma das canções.

     

    Enfim, embora tenha até música, toda Luciana é Lu.

    Talvez pelo nome ser grande demais.

    Ou Lu ser mais carinhoso.

    Dependendo dos amigos e da família pode ganhar variações.

    Em casa sempre fui Lu. Os primos até esquecem que sou Luciana. Sempre fui Lu, ou agora “Tia Lu”, como dizem – e eu adoro - os priminhos mais novos. Também já fui chamada de Luluzinha nas brincadeiras.

     

    Mas no colégio sempre fui Luciana. Embora o nome fosse muito comum, e eu tenha conhecido diversas Lucianas ao longo dos anos, a primeira amiga foi no segundo grau, quando fui obrigada a mudar de colégio, porque o meu não tinha o curso. Quando entrei, descobri que não era a única.

    E, claro, como cheguei depois, fui logo sendo chamada pelo nome e sobrenome.

     

    A minha xará, assim como eu, era a queridinha dos professores, aplicadíssima e muito séria. Ou seja, também era Luciana. Não era Lu.

    Como nossos nomes eram iguais e, coincidentemente, nossos sobrenomes eram bem parecidos e tinham “ellos” em comum, me tornei a Lucianinha.

    Eu era menor. Claro.

    Foi a única época da minha vida em que fui chamada assim.

    Confesso que não gostava nem um pouco. Ainda detesto. Luciana já é um nome grande. Lucianinha é maior ainda.

    Mas, ok, não me importava.

    Com o tempo, começamos a ser chamadas pelos amigos de Lu e nossos respectivos sobrenomes. Os “ellos”.

     

    A vida deu voltas e há anos não vejo a Luciana. Ambas deixamos nossa cidade para trás e tomamos novos rumos.

    Há cerca de dois anos tento reencontrá-la. Acho que quando ficamos mais velhos tentamos resgatar o passado. Sobretudo antigas amizades.

    Estou neste processo.

    Hoje, um amigo em comum me deu o telefone da Luciana.

    Não liguei ainda, mas vai ser bem bacana falar novamente:

    - Alô... Luciana?

    - Sim...

    - Aqui é a Lucianinha.

    ...



    Escrito por Luciana Barcellos às 02h17
    [] [envie esta mensagem] []



    Sobre datas e saudade

     

     Algumas datas são marcantes na minha vida. Dia 10 de janeiro é uma delas. É o dia do aniversário da Tia Piata, que nunca esquecia aniversário de ninguém da família. Uma tia que teve uma função muito importante na minha vida. Era ela que me aturava enquanto minha mãe trabalhava. Era ela que comprava as minhas ideias e confeccionava os vestidos que eu desenhava para as minhas Susies. Era ela que ouvia as bobagens que eu dizia quando ficava entediada de brincar sozinha com as minhas bonecas. Era com ela que ia jogar no bicho quando sonhava com algum animal. Quantas vezes ela acertou por minha causa! Ela dizia que meus palpites eram quentes. Era ela que tirava as carambolas do pé quando eu não alcançava. Foi com ela que aprendi a gostar de biju, e com ela que descobri que massa de bolo cru dá uma dor de barriga danada, mas é uma delícia.

    Eu era a única sobrinha que fazia companhia quando ela queria viajar para aqueles lugares que só idosos vão. Minha tia já era viúva há tempos. E vivia muito triste por isso. Mas quando tinha uns 70 anos, casou-se novamente. Na época, eu estava no início da adolescência. Nunca vou me esquecer do discurso dela no dia do casamento, quando falou que casou-se de novo porque seguiu o meu conselho. A família toda contra. E eu, uma adolescente que sequer havia beijado na boca, dando conselhos para uma mulher tão mais velha. Mas tenho certeza de que o segundo casamento a tornou mais feliz. Pelo menos nunca mais vi a minha tia chorando pelos cantos reclamando de saudade. Isso me deixou muito orgulhosa.

    Era na varanda da casa da Tia Piata que eu, minha irmã e meus primos do Rio ficávamos brincando. Por uma triste coincidência, meu primo Emílio faleceu na madrugada do dia seguinte, há um ano. Uma das vítimas do terremoto do Haiti. Tia Piata já não estava entre nós. Mas tenho absoluta certeza de que o acolheu.

    Sinto não ter mais o Emílio... Sinto mais ainda por ter ficado tão longe. De ambos.

    Hoje bateu uma saudade imensa da Tia Piata e de um tempo que não tem mais como voltar...

     



    Escrito por Luciana Barcellos às 01h44
    [] [envie esta mensagem] []



    SOBRE MEU NOVO AMOR*

    Adoro encontrar amigos que não vejo há muito tempo. Nessas horas, geralmente temos que fazer uma retrospectiva, quase uma biografia de nossas vidas. Às vezes, é bom, noutras nem tanto. Mas o que mais me impressiona mesmo são as perguntas indiscretas. Como estou numa fase muito zen e muito boazinha, resolvi matar a curiosidade alheia.

     

    -         Querida, como está?

    -         Olá, quanto tempo! E você, tudo bem?

    -         Tudo. Mas me conta. Está namorando?

    -         (Suspiro bem longo) Sim... Estou.

    -         Mentira! Que ótimo! Ele é bonito?

    -         Sim, é muito atraente. Um charme.

    -         Que sortuda!

    -   E como ele é? É um cara legal?

    -         Sim, um cara muito bacana.

    -   Quem é, conta logo!!!

    -   O nome dele é Doismileonze, conhece?

    -         Não, não conheço. Como ele é?

    -         Uma simpatia, um cara muito legal. Bom caráter, ótimo astral, íntegro, bem-humorado. E muito trabalhador, desde o primeiro minuto que nos conhecemos.

    -         Partidão, hein?

    -         Muito. Apaixonante.

    -         Há muito tempo que não a via tão empolgada.

    -         Sim, estou. Muito. Acho que vai me fazer muito feliz.

    -         Você merece. Mas, e aquele outro? Cadê ele?

    -         O Doismiledez? Nossa, já faz tanto tempo. Sumiu. Tenho que reconhecer que por dois momentos ele foi bem bacana comigo, mas vacilou tanto no resto... Aí o Doismileonze apareceu na minha vida e...

    -       ...Foi uma paixão arrebatadora.

    -         Não, melhor, um relacionamento com muitas expectativas. Vislumbro um futuro promissor.

    -         E como você conseguiu fisgar esse partidaço?

    -         Ah, confesso que corri atrás e fiz um investimento. Marquei uma consulta com um oftalmologista, comprei óculos novinhos e um GPS último modelo. Mandei tudo por SEDEX 10 para o Papai Noel, junto com um torpedo, uma mensagem no MSN e no Facebook.

    -         Porque aquela história de cartinha já era, né?

    -         Claro. E Papai Noel nunca me achava! Completamente míope e totalmente desorientado.

    -         Pelo visto deu certo. Trouxe um presentão.

    -         Sim, com laço de fita e opcionais de fábrica.

     ...

     

    * OU NOVAS RESPOSTAS PARA PERGUNTAS INDISCRETAS

     

     

     

     



    Escrito por Luciana Barcellos às 23h44
    [] [envie esta mensagem] []




    [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]