Afinal, o que querem os homens?*
Nunca me dei bem ao tomar a iniciativa numa conquista. A primeira vez que consegui superar minha timidez para isso, era uma adolescente magrela e peituda. Tinha 15 anos. E era extremamente virgem. Chamei um menino que “azarava” (para usar uma gíria da época) para sair. Ele disse não. Fiquei tão traumatizada com o fora, que só fui passar por essa experiência novamente mais de 20 anos depois. E continuo não me saindo bem. Além de ter a certeza absoluta de que não agradei nas raríssimas vezes que “parti para o ataque” (para usar uma expressão de hoje), e minha autoestima ficar no pé, obviamente comecei a achar que também não sei “paquerar ou cortejar”. Já me disseram que sou muito sutil e discreta nas minhas “investidas”. Aqueles sinais que para mim são uma tatuagem na minha testa dizendo: “você é um cara incrível e estou muito a fim de você”, só têm essa conotação para mim.
Eles não entendem que aquele convite para um chope, um almoço, o teatro, ou aquele comentário simpático, o olhar especial, a risada, o abraço mais forte... tem segundas, terceiras e quartas intenções. Também já ouvi que sou transparente demais, falo além da conta e tenho “o péssimo hábito” de dizer o que estou sentindo. Conselhos e explicações não faltam: “Jamais diga que gosta dele antes que ele tenha dito para você”; “Homens não gostam de mulheres que demonstram emoções”; “Eles odeiam torpedinhos ou mensagens carinhosas”; “Homens gostam de conquistar e ficam incomodados com o caminho inverso”... Enfim.... homens não gostam dessas coisas. Como agir então? O que fazer para mostrar que estou interessada, sem ser discreta demais e ele achar que sou apenas legal, ou extremamente simpática ou, pior, uma amiga gente boa? Como não posso dar um GPS com meu nome e endereço gravados, o que fazer para chamar atenção sem exagerar? Outro dia, para meu desespero, ouvi de um amigo que os homens se sentem intimidados com mulheres independentes ou "que tentam ocupar uma função que é deles". Como assim? Trabalho horrores, dou um duro danado para pagar as minhas contas sozinha. Pago meus impostos, a CEG, a Light, a NET, o aluguel, os cartões de crédito... Mas... Eles não gostam de mulheres independentes???!!!! Afinal... o que querem os homens? *Se alguém souber a resposta, por favor, me avise.
Escrito por Luciana Barcellos às 00h01
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Fora de foco

Não capto tudo ao meu redor. Tem coisas que passam. E não vejo. Percebi que só enxergava o que estava muito distante de mim. Aquilo que não conseguiria ter nas minhas mãos. Tão longe. Inalcançável. E, aparentemente, tão nítido. Não vejo o que está debaixo do meu nariz, gritando na minha frente. Simplesmente não enxergo. Tão próximo. Alcançável. Mas, para mim, sem nenhuma nitidez. Percebi que tenho que ajustar meu foco. Porque não adianta querer ver o que está longe. Preciso enxergar o que está perto. Enfim, tenho que resolver a minha hipermetropia.
Escrito por Luciana Barcellos às 00h57
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Sobre o dia 12 de junho

Este ano, vou passar o Dia dos Namorados muito bem e em ótima companhia. E contei isso para uma amiga que me ligou com aquela pergunta de sempre: - E aí Lu, preparada para passar mais um Dia dos Namorados sozinha e sem namorado? - Sozinha? Não, querida... Vou estar muito bem acompanhada. - Jura que tem um bofe? - Na verdade, pensei bem e cheguei à conclusão que essa coisa de apenas um é muito pouco. Cá entre nós, encontrar o homem perfeito que nos satisfaça em tudo, é praticamente impossível. Ou é gostoso, ou é bom de papo, ou bom apenas para dar risadas. Mas reunir tudo num só, a gente sabe que é complicado... Então decidi me cercar com vários! - Mentira!? Há mais de um? Menina, que moderna... - Pois é, vou passar muito bem acompanhada. Como tenho muita disposição e estou com um gás danado, há até uma programação: Para começar, enquanto estarei na cozinha preparando uma comidinha especial, chamei o Paul. Mas o Elton e o Eric também foram convidados. Depois vou tomar um banho bem caprichado com o Sting. Como estou numa fase de resgate e volta às raízes, pensei em beber uma cervejinha com o Alceu, o Geraldo e o Lenine. Depois, vou assistir a um DVD com o Darín. Ele é latino, né? E é um charme. E quando está cabeludo e com barba? Aí é um espetáculo! Mas tô na dúvida se chamo o Clint e o Niro também. Obviamente, não vou deixar de fora os bonitões como o Depp e o Law. Depois, vou para a minha cama nova. E lá, quem reina absoluto, me dá prazer e está sempre ali do meu lado, é o meu queridinho, o Gabriel. Mas, enquanto ele estiver me satisfazendo e me saciando com suas histórias fantásticas, o Nando vai cantar bem baixinho no meu ouvido. Então, quem disse que não terei um homem me acompanhando no dia 12? TEREI VÁRIOS!
Escrito por Luciana Barcellos às 10h06
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Sobre sinais
 Acredito que determinadas coisas acontecem ou se apresentam nas nossas vidas como uma espécie de sinais. Surgem para nos mostrar algo. Minha fitinha vermelha do Senhor do Bonfim partiu há alguns dias. Não me recordo quais foram os pedidos, tampouco se foram atendidos. Coincidentemente, na mesma semana, minha tornozeleira arrebentou. Era simples, com flores bem delicadinhas. Mas a adorava e não a tirava por nada. Só quando usava bota ou meia-calça. Ela já havia arrebentado outras vezes, mas em casa e sempre conseguia consertá-la. Desta vez soltou-se na rua. Num cruzar de pernas atrapalhado, não só partiu, como me feriu deixando o sangue escorrer por meu tornozelo. Entre as pedras portuguesas da calçada junto com a pressa do atraso, não consegui avistá-la. Cheguei a refazer o percurso no dia seguinte. Em vão. Pode ser uma simples coincidência. Mas fiquei extremamente impressionada por duas coisas - as únicas - que não tirava do corpo e me acompanhavam há tanto tempo terem arrebentado na mesma semana. Sobretudo a tornozeleira. Não só arrebentara, como deixara uma ferida em mim. Como se fosse um aviso de alguma coisa. Um adeus. Um presságio. Ou um anúncio de que o tempo de ambas passara. Pode parecer bobagem para muitos. Não me importo. Para mim, a perda abrupta de duas coisas queridas que me acompanhavam há tanto tempo foi um clique. Assim como a ferida que ficou e a marca do sangue escorrendo por meu tornozelo. Quem sabe minha tornozeleira já cumprira a missão dela? Quem sabe não está na hora de deixar meu tornozelo livre? Quem sabe não está na hora de achar uma outra tornozeleira tão apaixonante quanto a antiga? Enfim... Acho que é um sinal de que é hora de mudanças. ... Ps: Infelizmente não achei nenhuma foto da minha tornozeleira. Só peguei essa imagem para ilustrar
Escrito por Luciana Barcellos às 02h57
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Sobre ser Luciana
 Para quem nasceu no início da década de 70, não foi nada fácil ser Luciana. O nome nada comum hoje em dia, exceto por uma ou outra personagem de novela, era moda na época. Em 69, as rádios tocavam duas músicas, Luciana e o mar, de Rildo Hora, gravada por Cyro Monteiro e, a mais famosa, Cantiga por Luciana, cantada por Evinha, vencedora do 4 Festival Internacional da Canção. Embora nenhuma das duas hoje em dia seja muito lembrada, toda menina que nascia era chamada de Luciana. E toda Luciana que nasceu nessa época, como eu, foi por causa de uma das canções. Enfim, embora tenha até música, toda Luciana é Lu. Talvez pelo nome ser grande demais. Ou Lu ser mais carinhoso. Dependendo dos amigos e da família pode ganhar variações. Em casa sempre fui Lu. Os primos até esquecem que sou Luciana. Sempre fui Lu, ou agora “Tia Lu”, como dizem – e eu adoro - os priminhos mais novos. Também já fui chamada de Luluzinha nas brincadeiras. Mas no colégio sempre fui Luciana. Embora o nome fosse muito comum, e eu tenha conhecido diversas Lucianas ao longo dos anos, a primeira amiga foi no segundo grau, quando fui obrigada a mudar de colégio, porque o meu não tinha o curso. Quando entrei, descobri que não era a única. E, claro, como cheguei depois, fui logo sendo chamada pelo nome e sobrenome. A minha xará, assim como eu, era a queridinha dos professores, aplicadíssima e muito séria. Ou seja, também era Luciana. Não era Lu. Como nossos nomes eram iguais e, coincidentemente, nossos sobrenomes eram bem parecidos e tinham “ellos” em comum, me tornei a Lucianinha. Eu era menor. Claro. Foi a única época da minha vida em que fui chamada assim. Confesso que não gostava nem um pouco. Ainda detesto. Luciana já é um nome grande. Lucianinha é maior ainda. Mas, ok, não me importava. Com o tempo, começamos a ser chamadas pelos amigos de Lu e nossos respectivos sobrenomes. Os “ellos”. A vida deu voltas e há anos não vejo a Luciana. Ambas deixamos nossa cidade para trás e tomamos novos rumos. Há cerca de dois anos tento reencontrá-la. Acho que quando ficamos mais velhos tentamos resgatar o passado. Sobretudo antigas amizades. Estou neste processo. Hoje, um amigo em comum me deu o telefone da Luciana. Não liguei ainda, mas vai ser bem bacana falar novamente: - Alô... Luciana? - Sim... - Aqui é a Lucianinha. ...
Escrito por Luciana Barcellos às 02h17
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Sobre datas e saudade

Algumas datas são marcantes na minha vida. Dia 10 de janeiro é uma delas. É o dia do aniversário da Tia Piata, que nunca esquecia aniversário de ninguém da família. Uma tia que teve uma função muito importante na minha vida. Era ela que me aturava enquanto minha mãe trabalhava. Era ela que comprava as minhas ideias e confeccionava os vestidos que eu desenhava para as minhas Susies. Era ela que ouvia as bobagens que eu dizia quando ficava entediada de brincar sozinha com as minhas bonecas. Era com ela que ia jogar no bicho quando sonhava com algum animal. Quantas vezes ela acertou por minha causa! Ela dizia que meus palpites eram quentes. Era ela que tirava as carambolas do pé quando eu não alcançava. Foi com ela que aprendi a gostar de biju, e com ela que descobri que massa de bolo cru dá uma dor de barriga danada, mas é uma delícia. Eu era a única sobrinha que fazia companhia quando ela queria viajar para aqueles lugares que só idosos vão. Minha tia já era viúva há tempos. E vivia muito triste por isso. Mas quando tinha uns 70 anos, casou-se novamente. Na época, eu estava no início da adolescência. Nunca vou me esquecer do discurso dela no dia do casamento, quando falou que casou-se de novo porque seguiu o meu conselho. A família toda contra. E eu, uma adolescente que sequer havia beijado na boca, dando conselhos para uma mulher tão mais velha. Mas tenho certeza de que o segundo casamento a tornou mais feliz. Pelo menos nunca mais vi a minha tia chorando pelos cantos reclamando de saudade. Isso me deixou muito orgulhosa. Era na varanda da casa da Tia Piata que eu, minha irmã e meus primos do Rio ficávamos brincando. Por uma triste coincidência, meu primo Emílio faleceu na madrugada do dia seguinte, há um ano. Uma das vítimas do terremoto do Haiti. Tia Piata já não estava entre nós. Mas tenho absoluta certeza de que o acolheu. Sinto não ter mais o Emílio... Sinto mais ainda por ter ficado tão longe. De ambos. Hoje bateu uma saudade imensa da Tia Piata e de um tempo que não tem mais como voltar...
Escrito por Luciana Barcellos às 01h44
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SOBRE MEU NOVO AMOR*

Adoro encontrar amigos que não vejo há muito tempo. Nessas horas, geralmente temos que fazer uma retrospectiva, quase uma biografia de nossas vidas. Às vezes, é bom, noutras nem tanto. Mas o que mais me impressiona mesmo são as perguntas indiscretas. Como estou numa fase muito zen e muito boazinha, resolvi matar a curiosidade alheia. - Querida, como está? - Olá, quanto tempo! E você, tudo bem? - Tudo. Mas me conta. Está namorando? - (Suspiro bem longo) Sim... Estou. - Mentira! Que ótimo! Ele é bonito? - Sim, é muito atraente. Um charme. - Que sortuda! - E como ele é? É um cara legal? - Sim, um cara muito bacana. - Quem é, conta logo!!! - O nome dele é Doismileonze, conhece? - Não, não conheço. Como ele é? - Uma simpatia, um cara muito legal. Bom caráter, ótimo astral, íntegro, bem-humorado. E muito trabalhador, desde o primeiro minuto que nos conhecemos. - Partidão, hein? - Muito. Apaixonante. - Há muito tempo que não a via tão empolgada. - Sim, estou. Muito. Acho que vai me fazer muito feliz. - Você merece. Mas, e aquele outro? Cadê ele? - O Doismiledez? Nossa, já faz tanto tempo. Sumiu. Tenho que reconhecer que por dois momentos ele foi bem bacana comigo, mas vacilou tanto no resto... Aí o Doismileonze apareceu na minha vida e... - ...Foi uma paixão arrebatadora. - Não, melhor, um relacionamento com muitas expectativas. Vislumbro um futuro promissor. - E como você conseguiu fisgar esse partidaço? - Ah, confesso que corri atrás e fiz um investimento. Marquei uma consulta com um oftalmologista, comprei óculos novinhos e um GPS último modelo. Mandei tudo por SEDEX 10 para o Papai Noel, junto com um torpedo, uma mensagem no MSN e no Facebook. - Porque aquela história de cartinha já era, né? - Claro. E Papai Noel nunca me achava! Completamente míope e totalmente desorientado. - Pelo visto deu certo. Trouxe um presentão. - Sim, com laço de fita e opcionais de fábrica. ... * OU NOVAS RESPOSTAS PARA PERGUNTAS INDISCRETAS
Escrito por Luciana Barcellos às 23h44
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Sobre combinações perfeitas

Tem coisas que aparentemente não combinam. Como mamão com banana, por exemplo. São frutas que, na minha opinião, não têm nada a ver, possuem até funções digestivas distintas. Não gosto muito de banana. Comi tanto quando era pequena que enjoei. Gosto do doce. Cozida. E com canela. Adoro mamão com um pouquinho de açúcar e gotinhas de limão. Ou batido com laranja e beterraba. Gostinho de infância. Mas, recentemente, descobri que o mamão e a banana formam uma combinação deliciosa. Foram feitos um para o outro. Acrescentando um pouco de granola e mel então, é a perfeição. Há combinações que mesmo descombinadas à primeira vista, são como peças de lego que se encaixam. Como beijo na boca em noite de lua cheia. Combinam, sem que para isso precisem necessariamente de identificação ou semelhança. Arroz com feijão, morango com chocolate, cachaça com limão, cineminha com pipoca, brownie com sorvete, torcer para o Botafogo com uma cerveja estupidamente gelada, tomar um bom vinho e orgasmos múltiplos. Cientistas – que estão sempre corroborando comigo – já comprovaram que os opostos se atraem. É uma lei da física. E a física move o mundo. Como o Yin e o Yang. Os opostos que se atraem. Os opostos que se complementam. Que combinam e se encaixam tão maravilhosamente perfeitos, que as diferenças... As diferenças não significam nada.
Escrito por Luciana Barcellos às 22h24
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Sobre as expectativas masculinas

Recebi por email uma pesquisa querendo a minha opinião sobre as expectativas masculinas. Se tivesse essa fórmula, o mapa, o GPS ou qualquer coisa que me indicasse esse caminho, que me mostrasse o que os homens querem realmente de uma mulher, quais são as expectativas masculinas, provavelmente eu não estaria sozinha. Usaria em benefício próprio. E, obviamente, guardaria a sete chaves num cofre bem seguro. Ou, quem sabe, depois de saber de cor, venderia a fórmula e ficaria milionária! Num primeiro momento, me deu vontade de reclamar, dizer que, diante de algumas decepções, não faço a menor idéia e não estou nem aí para o que eles esperam. Mas não demorou muito para bater aquela curiosidade natural diante da pesquisa. Respondi, obviamente. Mas acho que a minha opinião não vale muita coisa. Queria que os homens respondessem. Qual é a expectativa masculina em relação às mulheres? O que eles esperam de uma mulher? O que eles pensam? A minha opinião é X, mas acredito que eles pensam Y. Sem dúvida, os homens mudaram. E muito. E acho que em alguns aspectos para pior. Hoje em dia, sinais que outrora indicavam que eles estavam a fim, não significam mais nada. Coisas que para nós significam muito ou indicam o grau de interesse como flores, telefonemas, jantares românticos, ser convidada para festinhas com amigos dele, mensagens carinhosas ou torpedinhos podem não ser o que a gente espera. Aliás, podem não ser nada. E namorar, então? Tornou-se um compromisso seríssimo, quase que um pedido de casamento! Tenho algumas teorias sobre esse medo masculino de se relacionar. Será que ficou assim por causa da união estável? Sim, namorar agora é um perigo! Daqui a pouco alguém vai criar um Contrato Pré-Azaração, Namoro ou Similares. Antigamente, era tão mais fácil entender e perceber se ele estava a fim... E tão mais romântico... Se ele ligasse no dia seguinte? Estamos namorando, fato! Se mandasse um torpedinho carinhoso = Ele está apaixonado! Flores ou bombons? Mega acumulada! Esse é para casar! E quando ele não estava interessado, sempre havia aquela frase: “a gente precisa conversar”. Homem quando dizia isso, era fim de conversa e ponto final. Mas por pior que fosse, havia uma consideração. E nós podíamos inverter a situação, nos antecipar à conversa e dar o ponto final primeiro para não ter que encarar aquele olhar de “desculpe, você é legal, mas não deu”. Atualmente ficou mais fácil sumir. E mais covarde no meu entender. O sumiço de hoje é o “precisamos conversar” do passado. Só que muito mais mal educado. Confesso que preciso de um Manual Masculino Atualizado, uma espécie de Novo Acordo Ortográfico, porque o meu manual tem expressões que caíram em desuso. Ficou antiquado, obsoleto. Quem sabe um Novo Manual possa me ajudar a entender essas criaturas, que são infinitamente mais complicadas do que nós?
Escrito por Luciana Barcellos às 11h38
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Só uma questão matemática
1 + 1 = 2
Seria tão bom se soubéssemos usar as teorias matemáticas que aprendemos na escola, não apenas nas questões práticas, mas nos relacionamentos. Para isso não precisaríamos de muito esforço ou fórmulas e equações complicadas. Quando tivéssemos a felicidade (e sorte) de encontrar alguém especial, quando os olhares se cruzassem e se percebessem, seria fácil: - Eu gostei de você e você gostou de mim. - Que tal se nos gostássemos juntos? Bastaria usar algumas operações bem simples. Somaríamos as gentilezas, os gestos carinhosos, a dedicação e cuidados recíprocos. Multiplicaríamos as alegrias. Dividiríamos as tensões e preocupações. Diminuiríamos os momentos de solidão. Solucionaríamos - juntos - os problemas. Elevaríamos o prazer e o tesão a potências elevadas. E chegaríamos ao mesmo resultado. Sempre positivo.
Escrito por Luciana Barcellos às 02h06
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Inteira, intensa e ininterrupta

Ontem, ela foi minha. Toda minha. Inteira. Intensa. Ininterrupta. Foi mais do que uma relação física. Foi uma simbiose. Há muito não sentia algo tão forte. Acabei adormecendo, cansada. Exausta. Dormimos juntas. Hoje, ao acordar, eu não estava sozinha. Ela estava ali. Latente, incômoda. Acordada como se nada tivesse acontecido. Ainda mantendo o frescor do dia anterior. Não dei bom dia. Fiquei irritada e arrependida por não ter tomado antes uma atitude. Prefiro ficar só com a minha companhia a tê-la comigo. Mas ela não queria ir embora. Acho que queria ficar. Tomei uma atitude drástica: E pedi um Ponstan. Para acabar de uma vez com essa inconveniente dor de cabeça.
Escrito por Luciana Barcellos às 21h07
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A História de Nós 2
 Sempre acho que peças que falam sobre relacionamento homem-mulher costumam ser meio óbvias. Geralmente fazem graça em cima do lugar-comum: mulheres são emotivas, homens não, mulheres falam demais, homens de menos, e por aí vai. Que bom que nem sempre é assim. Fui com uma amiga assistir à A História de Nós 2, uma comédia romântica, que está em cartaz no Teatro Vanucci. A expectativa era rir um pouco. É, claro. Também. Há muitos momentos hilários. É divertida, a plateia dá muitas risadas. Mas dizer que é só uma comédia é pouco. É muito mais do que isso. É uma pura reflexão sobre relacionamentos. Ontem, numa espécie de catarse com o público, Alexandra Richter, que divide o palco com Marcelo Valle, terminou o espetáculo às lágrimas. Ela estava visivelmente emocionada no final. Eu também. Foi impressionante vê-la chorar no palco. Mas ainda pelo simples fato de a peça já estar em cartaz há mais de um ano. Então ver aquela emoção – e ainda na primeira apresentação, já que teria ainda mais uma no sábado - me fez pensar na entrega que a atriz teve em cena. Foi simplesmente emocionante. A palavra-chave do espetáculo é identificação. Não há como não se identificar em algum momento, seja pela paixão inicial do casal, cega, surda e muda, comum em todo relacionamento bem vivido. Também não há como não fazer o mesmo quando aparecem os primeiros sinais de crise, quando a rotina deixa de ser agradável, e surgem os primeiros sinais de incompatibilidade. A identificação não precisa ser necessariamente com o comportamento da Lena ou do Edu, os personagens do espetáculo. O público se identifica com a ideia, com o conjunto da obra. As fases do relacionamento, tão bem construídas e deliciosamente explicadas no texto da Lícia Manzo: o início, em que tudo é lindo, o meio, quando as pessoas percebem que nem tudo é tão lindo assim, e o fim, quando aquilo que achávamos lindo e maravilhoso acaba. Enfim, é daquelas peças imperdíveis, que diverte e nos faz pensar. Quem está casado, provavelmente vai repensar a relação. E quem não está, certamente vai pensar em fazer tudo diferente da próxima vez.
Escrito por Luciana Barcellos às 14h41
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Sobre um telefonema

Domingo à noite. Toca o telefone da minha casa. Geralmente me assusto quando toca, porque é um número que quase ninguém tem. É um telefone que eu nem lembro que tenho. E quando toca, geralmente eu sei quem é que está ligando. Nem precisava ter bina. Do outro lado da linha, uma voz masculina pergunta: - Alô, é a Luciana? - Sim, sou eu. - É a Luciana Barcellos? Estranhei. Ligar para o telefone da minha casa, num domingo à noite, e ainda dizendo meu sobrenome? Amigos não me chamam pelo nome e sobrenome normalmente. Ou me chamam pelo nome, ou o apelido, ou pelo sobrenome no trabalho. Mas ser chamada pelo nome e sobrenome num domingo à noite... Como não poderia ser vendedor, ou cobrança, fiquei tensa. - Sim, sou eu mesma. - Luciana, sabe quem está falando? Caramba, se tem uma coisa que eu nunca acerto é quando fazem isso comigo. Já passei por situações constrangedoras diversas vezes. Não tem jeito, meu ouvido é péssimo para identificar vozes. Nunca acerto. Já passei pela saia-justíssima de falar que era um amigo, e era uma amiga (tenho culpa se ela tinha a voz meio grave demais?). Também já aconteceu o contrário (tenho culpa se ele tinha a voz muito fina??!). Outro dia, recebi um telefonema assim. E não identifiquei. Ainda bem que era uma pessoa divertida e levou a brincadeira numa boa. O negócio é que nunca acerto. Mas a voz estava muito grossa para ser da minha mãe, minha irmã ou da única amiga que não liga para o celular. E muito simpática para ser do “ex”. - Não, não faço a mínima ideia. - É uma pessoa que você conheceu na adolescência. Diante de uma resposta dessas, evidentemente que não iria reconhecer mesmo. - Poxa, tem tempo isso... A pessoa ainda insistiu. - Não nos vemos há mais ou menos uns 15 anos. - Isso é muita maldade. Há 15 anos?? Como eu vou saber? - Você fez 40 anos agora, não é? - Sim... #$%*##*, pensei na hora. Quem é esse $%*&&# que me liga sem se identificar e ainda diz a minha idade assim na lata? Diante de alguns segundos de silêncio, felizmente a pessoa se identificou. Era o meu melhor amigo na adolescência. Não nos vemos há mais de 15 anos. E fiquei muito, muito feliz com o telefonema. Ótima surpresa. Após colocarmos as informações em dia, rirmos do passado, perguntarmos sobre os amigos em comum, os primos (que eu namorei) e falarmos muito dos nossos respectivos filhos... Veio a pergunta: - Mas, como você descobriu meu telefone? Ninguém liga para esse número! - É que eu trabalho n...*. Você mora no endereço tal, seu email é tal, sua identidade é... - Caramba, agora você me assustou. - Bem, não posso fazer isso, mas estava morrendo de saudades de você, da sua irmã... - Você tá me vendo também? Essa conversa tá sendo gravada? Enfim, não vou entrar aqui na discussão sobre a invasão de privacidade. Lembrei de George Orwell e Aldous Huxley, que falam sobre sociedades vigiadas. É evidente que se algum funcionário deste órgão ligasse para a minha casa, eu o mandaria #$%*#. Ou melhor, gravaria a conversa e ganharia muito dinheiro ao processá-lo depois. Mas ainda bem que esse meu amigo me achou. Porque é uma daquelas amizades para sempre. E sinto muita saudade dessa época, quando a gente se divertia tanto e não havia tantas responsabilidades. Dos verões quando toda a galera ia à praia junta, das brincadeiras, do frescobol, dos passeios de moto, da cumplicidade. Enfim, da amizade pura que a gente não encontra tão fácil. Sobretudo do sexo oposto.
Mas, confesso, agora fiquei com um medo imenso de atender o telefone da minha casa. *Não vou falar qual é o órgão público, por motivos óbvios. Se eles têm tanta informação, sei lá... Não duvido nada que eles também tenham o hábito de vigiar o meu blog...
Escrito por Luciana Barcellos às 17h01
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Sobre quando a vida começa
 Tem quem diga que a vida começa aos 40. Outros aos 50...60...70... Enfim, acredito que a vida começa quando olhamos para dentro de nós e descobrimos quem somos na verdade, quando a dor para de nos fazer sofrer e começa a nos fortalecer e nos tornar mais sábias, quando a alegria nos ensina a ser feliz e fazer feliz quem nos rodeia. A idade não tem sentido nenhum, o que conta é a história que se escreve. Portanto acumule todos os momentos alegres da sua vida e faça um pacote lindo de "FELICIDADE" Um grande beijo e viva cada minuto como se fosse o último e torço para que estes seus "40" sejam os melhores da sua vida. Estava pensando num texto comemorativo dos 40 anos, quando recebi este email de uma amiga muito querida que conheci há pouco mais de um ano, mas já virou “amiga de infância”. Como empaquei no que estava escrevendo, resolvi deixá-lo mais um tempinho no forno e compartilhar este lindo email que me deixou muito emocionada. Também acho que a vida começa quando a gente começa para ela. E isso independe da idade. E do tempo. Podemos viver muito mais em um ano do que em 10. Depende da nossa disponibilidade, de quanto estamos dispostos, do que queremos viver e da nossa intensidade para a vida. O que realmente conta é a história que se escreve. Obrigada Cris! Você disse tudo! Ps: A remington é uma homenagem à primeira máquina que eu usei. Aprendi a datilografar numa remington preta. E escrevia numa igualzinha no meu primeiro emprego. Ainda vou ter uma dessas novamente!
Escrito por Luciana Barcellos às 09h38
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Carta para um amor

Querido gatinho, No mês em que fiz 4 décadas, você completou a primeira. É a primeira de muitas, claro. Mas tem uma importância imensa. Até aqui, aprendemos a ser gente: sobretudo no aspecto fisiológico. Aprendemos a andar, comer, falar... A partir dos 10, é quando a gente aprende a Ser. E você está aprendendo a Ser Homem. Claro que o aprendizado vai durar a vida toda (e tem gente que morre sem aprender). Mas, com certeza, a partir de agora serão as mudanças mais significativas da sua vida. Poderia contar minuto a minuto o que acontece com as meninas. Com os meninos vou dar por alto: Daqui a bem pouco tempo você vai perder essa carinha linda de bebezinho que você ainda tem quando está dormindo. Vão crescer pelos em várias regiões do seu corpo. Primeiro será o bigode. Querido, por mais que você queira mostrar para as gatinhas que já está grande, por favor, não deixe. Raspe imediatamente. Definitivamente, mulher não gosta de bigode. É feio, ultrapassado, cafona. Se achar que eu não entendo muito, lembre-se dos heróis que você conhece que têm bigode. Ah, sim, o Zorro. Mas ele é do Século XIX! Ainda lutava com espadas e, na época, não existia Orkut, Facebook, ou ninguém no MSN para contar para ele o quanto aquele bigodinho era ridículo. Ou seja, nenhum outro herói tem bigode. Então, não se fala mais nisso. Quando você crescer um pouco mais e a barba crescer, aí sim. Lembre-se do Wolverine, do Homem de Ferro e do Thor. Coincidentemente, seus heróis preferidos! A barba você pode deixar para chamar a atenção das meninas. Mesmo que seja rala ou tenha falhas. Não importa. Mulheres gostam de barba. Além dos pelos, que também nascerão em outras partes, você vai perder esse cheirinho de bebê gostoso que você tem. Depois dos exercícios, vai exalar um cheiro não muito agradável. Sua pele lisinha vai ficar mais grossa. Se não comer muita besteira, as espinhas não vão aparecer. Mas se comer, não tem jeito. Sua voz rouquinha também vai mudar. Vai passar por uma fase bem enjoada entre fina e grave. As meninas vão rir. Não vou enganá-lo. Essa fase para os meninos é muito difícil! Mas tem o lado bom: Daqui a um ou dois anos, aquelas meninas metidas que se achavam grandes e só queriam saber dos meninos mais velhos, não vão crescer mais nenhum centímetro. E você vai crescer vários! Vai ficar muito mais alto do que elas e muito mais forte. Claro que não custa nada dar uma forcinha e praticar um basquete, uma musculação, uma luta... Enfim, praticar esportes para desenvolver um pouquinho mais. Continue o futebol, claro. As meninas reclamam que não gostam, mas é mentira. Elas gostam dos meninos que jogam bola. E, principalmente, adoram os meninos que entendem do assunto. Acham másculo. Mas, evidentemente, dos Botafoguenses. Claro. Sempre! Muito mais inteligentes, carismáticos e charmosos do que todos os outros torcedores juntos. E quando tiver jogo, você pode levar a sua namorada tranquilamente ao Maracanã, que a mamãe não vai ficar tão preocupada esperando você chegar em casa depois do jogo. Só um pouquinho. Ah, e já que você gosta tanto de música, aprenda a tocar mais instrumentos. Desenvolva esse dom e continue com o seu bom gosto. Bem, gatinho, você vai passar por várias e várias outras coisas boas. Não vou citar todas para não perder a graça. O importante é vivê-las intensamente. Mas aproveite muito, porque essa fase é linda.
Escrito por Luciana Barcellos às 00h09
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