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    Enfim...


    Acho que não...

    Um estudo feito pelo professor Joseph Forgas, da Universidade de Nova Gales do Sul, em Sydney, Austrália, revela que mal-humorados são mais inteligentes. Segundo o pesquisador, o mau humor melhora a atenção e facilita um pensamento mais prudente, além de estimular a capacidade de julgar os outros e aumentar a memória. O estudo, publicado na última edição da revista Australasian Science, afirma também que a tristeza melhora as estratégias para processar a informação em situações difíceis. A pesquisa conclui então que os mal-humorados e tristes são mais inteligentes.

     

    Será que o professor australiano está certo?

    Bem, tenho que concordar que tem uma certa lógica. Os melhores romances, as melhores canções, geralmente, falam de sentimentos tristes como perdas, amores não correspondidos, despedidas...

    Como a maioria dos humoristas que conheço é mal-humorada, acho que fazer rir realmente deve exigir muito do intelecto.

    Como não suporto mau humor, e quero muita, mas muita distância de pessoas mal-humoradas, sobretudo as tristes, fiquei tensa.

    Mas, pensando melhor, acho que esse estudo pode não estar tão condizente com a verdade. Na minha leiga opinião, os bem-humorados não são desprovidos de uma capacidade intelectual mais aguçada. Muito pelo contrário. É muito mais inteligente rir, mesmo que seja da nossa própria desgraça, do que fechar a cara ou se entristecer. No mínimo, os bem-humorados não vão gastar uma fortuna com cremes antirrugas. 

     

    Essa pesquisa do tal professor deve estar meio furada. Talvez o professor australiano só tenha pesquisado entre os cangurus, ornitorrincos, koalas ou aqueles outros bichos esquisitos que só existem na Austrália.

     



    Escrito por Luciana Barcellos às 11h43
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    15 minutinhos a mais

      

       Depois de anos e anos lutando para não dormir muito cedo, passei a ter insônia. Se não bastasse, a média de horas dormidas também diminuiu consideravelmente.

       Logo eu, que fugia à francesa para dormir no meu quarto quando o sono batia e sempre invejei quem aguentava ficar até o sol raiar. Como não tomo remédio para dormir, agora sinto saudades daquelas horinhas a mais.

       No início, pensei que fosse apenas uma fase. Confesso que até gostei quando comecei a aproveitar mais o meu dia e a fazer coisas que antes não tinha tempo.

       Embora a insônia tenha diminuído quando troquei de cama e passei a dormir numa escuridão total, as horas dormidas ainda continuam abaixo da média. Faço festa quando durmo 6 horas. E acordo ótima!

       Com o horário de verão, a coisa piora porque acordar às 5h é sair da cama às 4h, enfim, noite ainda. Enrolo para dormir para ver se não acordo tão cedo. Só que essa enrolação muitas vezes me faz perder o sono de vez. 

       Dormir pouco pode ter seu lado bom. Mas é terrível perceber que só você está “aproveitando”. Que eu daria tudo por mais uma horinha ou 15 minutinhos a mais.

     



    Escrito por Luciana Barcellos às 19h07
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    Sobre momentos ótimos

     Estava pensando num texto novo, já tinha deletado uns três quando começou essa onda de violência que está correndo solta na cidade. Justo no Rio, essa cidade tão linda que eu escolhi para morar. Terrível ver helicóptero caindo, tiroteios assolando os morros, moradores apavorados etc, etc. Confesso que me deu um sentimento tão ruim e tanta tristeza quando comecei a escrever, que achei melhor mudar de assunto.

    Por sugestão da minha irmã querida, que faz aniversário esta semana, resolvi falar sobre coisas boas.

    - Fale sobre momentos agradáveis Lu.

    Como não gosto de contrariá-la, resolvi lembrar de algumas coisas da minha infância e adolescência. E bateu uma onda saudosista imensa.

    De um passado tão tão distante que não existe e não temos como recuperar. Não apenas por estarmos bem mais “maduros”, mas porque a minha infância foi passada em Macaé, uma cidadezinha do interior do Rio que mudou horrores. É verdade que hoje já não é mais a "cidadezinha" que eu nasci e conheci.

    Morava a dois quarteirões da praia. No verão, minha irmã me levava para tomar sorvete no “Seu Osvaldo” ou na Sorveteria Sorriso. Antes de a Petrobras chegar e acabar com tudo, eu mergulhava e tomava muito caixote na Praia da Imbetiba. Adorava pedalar até o Farol e depois descer o morro sem apertar o freio.

    Como foi bom juntar uma turma e passear de traineira até as ilhas. Saudades de ir com os primos na “Rural” do tio para catar pitanga na lagoa. Dos bailes de Carnaval no Tênis Clube, e de subir o Morro de Santana para tentar ver um disco voador que estava sobrevoando os céus da cidade!

    Na minha casa, que hoje funciona uma clínica, a gente acampava do lado de fora para ver os eclipses. Como era gostoso dormir com a brisa e ver o céu estrelado. Foi lá que eu vi o Cometa Halley! Sim, eu vi! Tudo bem que o tempo não ajudou muito e o cometa na verdade era apenas uma manchinha no céu... Mas eu vi!

    Bons tempos...

    E quanta saudade!

    Enfim, esse post é para você minha irmã querida! Feliz aniversário!

     

    *Pode deixar que não entreguei a sua idade! Quando o Halley passou, você era uma... bebezinha!

    A foto é do Farol. Hoje, por causa da Petrobras, não há mais acesso ao local. Pena porque tem uma vista linda. Mas eu aproveitei muito!



    Escrito por Luciana Barcellos às 18h52
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    Sobre coisas que só acontecem comigo

     

       Acho que entrei na fila das bizarrices azaradas. Devo ter entrado duas vezes, talvez três ou quatro. Porque determinadas coisas só acontecem comigo e mais ninguém. Já fiz 13 pontos na loteria e meu pai não jogou, a parte de cima do biquini já desamarrou em pleno campeonato de surf lotado, já tomei banho de chope no primeiro encontro... Enfim, a lista é imensa...

       Domingo de Sol em pleno feriadão, antes de começar meu plantão, resolvi dar umas pedaladas na ciclovia. É claro que alguma coisa tinha que dar errado. Desta vez, fiquei presa no elevador durante 50 minutos!

       Moro num prédio antigo, pequeno, sem corredor, onde eu fecho a porta do elevador que dá para o meu apartamento. O elevador tem uma porta pantográfica que abre ambos os lados para os dois apartamentos. Ou seja, se o elevador social pára num andar que não é o meu, não tenho como abrir a porta e ir pela escada. A não ser que um vizinho faça a gentileza de abrir a porta para que eu possa – entrando pela casa dele - sair pelo elevador de serviço. Enfim, se o vizinho não estiver em casa, vou permanecer trancada até a chegada do técnico. Que foi o que aconteceu.

       Hoje descobri que moro num prédio fantasma, cujos ocupantes além de minha família, é um casal muito simpático que tem sotaque do Sul, a empregada da vizinha do apartamento da frente (acho que só tem ela, porque nunca vi a vizinha), e uma husky siberiana cega, gorda e velha que sai sempre para passear com uma jovem loura e simpática.

       Mas, claro, hoje não havia absolutamente ninguém no prédio! Fiquei 50 minutos tentando, inutilmente, tocar a campainha dos vizinhos de 8 andares acima do meu, porque o elevador subia, mas não descia! E o porteiro apenas me avisava que não morava ninguém. Como assim? Moro numa das ruas mais movimentadas de Copacabana! Como não mora ninguém?? Nem um velhinho sequer? Nem uma viúva cheia de gatos? Uma velhinha rabujenta que estivesse vendo o Sílvio Santos no domingo? Não é possível!

       Achava ótimo não ter vizinhos embaixo e em cima do meu apartamento. Com filhos, há sempre alguém que reclame. Mas, confesso, achava muito estranho ter vaga sobrando na garagem em plena Barata Ribeiro! E tem várias! Uma vez, comentei com meus filhos, que nunca tinha visto nenhum vizinho, embora já tivesse visto duas mudanças. E que não sabia o motivo de ninguém usar o elevador social.

       Enfim, agora eu sei porque ninguém usa o social!  E vou ficar de olho... Toda vez que o porteiro me avisava pelo interfone que não havia morador no 701, 702, 801, 802 e por aí vai, me dava um friozinho na espinha. Lembrei de vários filmes de terror... 

       Agora vou ficar de olho quando entrar um novo morador. Talvez eu acenda uma vela...   



    Escrito por Luciana Barcellos às 18h01
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    Sobre como vão estar em 2016?

    Como vamos estar em 2016? A pergunta surgiu no trabalho, depois da comemoração pela vitória do Rio. Quando cheguei em casa, vi meus dois gatinhos e fiquei horas imaginando como eles vão estar daqui a sete anos. Parece pouco tempo. E é. Mas eles mudam muito em tão pouco tempo...

    Com certeza vão estar muito mais altos do que eu. Ok, isso não é muito difícil, já que hoje em dia com 1,65 m sou chamada de baixinha (mas juro, que na minha adolescência eu era considerada alta!)

    É óbvio que vão estar lindos. O mais velho, elegante, esguio, com aqueles olhos de Speed Racer e os cabelos compridos. Depois da fraude do Enem este ano, pode ser que daqui a sete anos ele esteja se preparando para o vestibular de outra forma. Ou, quem sabe, já esteja na faculdade...

    Será o que ele vai tentar fazer? Na certa, algo ligado à biologia, veterinária ou medicina, porque sempre gostou de bichos e de sangue. Talvez tenha desenvolvido ainda mais o gosto pelos desenhos e vá investir numa carreira ligada a isso, ou, quem sabe, tenha enveredado por algo tecnológico... 

    O mais novo vai estar todo saradão e com tatuagem no braço. Aposto que deve estar namorando! Tomara que seja uma menina bem legal, porque sempre fez muito sucesso. Provavelmente deve estar tocando muito bem algum instrumento. Aos 7, já tocava teclado. Toca flauta no colégio e, agora pediu um violão. Quem sabe, já tenha uma banda?

    Talvez, esteja fazendo curso de teatro para ser ator. Será que enveredou pelo caminho da escrita? Vai ver tornou-se um jogador. Ou tenha ido velejar. Ou tornou-se um chef de cozinha especialista em brigadeiro?

     

    É tão difícil imaginar... Ainda sinto cheirinho de bebê...

    Para mim, vão ser sempre os meus gatinhos queridos e amados.

    Desejo uma imensidão de coisas boas para eles... Mas, o que importa é que tenham se tornado homens bacanas, estejam ótimos e felizes.

     

    Mas morro de curiosidade em saber como vão estar...

    Como diz uma pessoa muito, muito querida, “sou mais curiosa do que a gata”.

    A Cafeína perde!

     



    Escrito por Luciana Barcellos às 19h23
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    Sobre assaltos em Copa

     

    Às vésperas da definição de qual será a cidade sede das Olimpíadas 2016, notícias sobre violência no Rio correm solto pela imprensa mundial. Um jogo político é claro. Mas, infelizmente, não é só intriga para que Chicago ganhe a parada. Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), os índices de assalto a residências subiram 87% na capital.

     

    O que me preocupa é que os assaltos não estão acontecendo apenas em residências ou prédios de luxo. Mas em prédios de classe média e prédios simples na Zona Sul do Rio, mais especificamente, em Copacabana. Na semana passada, foi num prédio, em plena Barata Ribeiro, uma das ruas mais movimentadas do bairro, a poucos metros da minha casa. Coincidentemente cheguei a ver um apartamento neste prédio. Ontem, o assalto foi num outro prédio na Francisco Otaviano, prédio normal, de classe média. Três assaltantes renderam 18 moradores às 7h30!

     

    Há duas semanas, assaltantes fizeram o mesmo num prédio na Tijuca, Zona Norte da cidade e também no Leblon, Zona Sul. Mas Copacabana está virando o bairro preferido dos ladrões. Dizem, por causa do choque de ordem implantado pelo prefeito Eduardo Paes. Tenho minhas dúvidas, uma vez que não vejo muito este choque de ordem perto da minha casa, onde mendigos dormem embaixo das marquises normalmente e pivetes circulam livremente. 

     

    Lembro que na época da ECO 92, a violência e a onda de assaltos também estava braba na cidade e ninguém acreditava que poderíamos sediar um evento daquele porte no aterro do Flamengo, onde assaltos aconteciam à luz do dia. Na época, eu morava no Flamengo e nunca me senti tão segura em andar na rua. Havia policiamento em cada esquina. Comentava-se que o governador Leonel Brizola havia feito um pacto com os bandidos. É claro que ninguém quer que negociem com bandidos. Muito menos ver soldados em cada esquina. Mas a verdade é que a cidade nunca esteve tão segura. Ou seja, é possível controlar essa onda de violência? Sim.  É só querer.

     

    Fui colocar um post novo e acabei deletando este sem querer. E só pude postar hoje porque não tinha uma cópia. Bem, infelizmente, não tenho como recuperar os comentários. Desculpem mais uma vez. Prometo tomar mais cuidado com esse meu jeito atolado de ser...



    Escrito por Luciana Barcellos às 13h02
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    Que tipo de cidadãos estamos formando?

     

     

    O Colégio de Aplicação da UFRJ é referência em ensino no Brasil. Está sempre na lista entre os 10 melhores colégios públicos do País e na concorrida lista dos 10 melhores colégios do Rio (incluindo cursinhos e colégios particulares, e sempre se revezando nas primeiras colocações com colégios tradicionais como o São Bento e o Santo Agostinho). Bem, o ensino é inquestionável, assim como o comprometimento e a disponibilidade dos profissionais. Meu filho mais velho teve a sorte de ser sorteado e estuda lá. Fiquei muito feliz quando vi o nome dele na lista dos que tiveram a sorte de entrar lá no primeiro ano do ensino fundamental. E tenho muito orgulho do Cap. É um exemplo de que é possível ser público (no caso, federal) e ser ótimo.

     

    Mas, de uns tempos para cá, começaram a ocorrer pequenos “sumiços” no colégio. Furtos dentro de sala de aula. Semana passada, “sumiram” com um Nintendo DS de dentro da mochila do meu filho. Sim, ele errou em levar o presente que ganhou de aniversário para o colégio. Alertei várias vezes para não levar. Na sexta, ele chegou em casa aos prantos. Fora roubado dentro de sala de aula.

    Num primeiro momento, os sentimentos de tristeza, raiva e frustração se unem.

    - Falei tanto para não levar... Por que me desobedeceu? Eu disse, eu disse... Se não tivesse levado...

    Mas, num segundo momento, comecei a me questionar sobre o que realmente estava certo e errado nesta situação.

    Meu filho me desobedeceu e errou. Fiquei muito chateada por isso.

    Mas, ROUBAR É ERRADO.

    É certo confiarmos que nossos filhos estão seguros nos colégios que estudam.

    É certo também que os colégios são responsáveis por nossos filhos nos períodos em que eles se encontram dentro da escola.

    É certo que os colégios além de ensinar, têm como função formar cidadãos.

     

    Mas que tipo de cidadãos estamos formando se atos assim acontecem dentro de um colégio? Dentro de um espaço de formação? Dentro de uma sala de aula?

     

     

    É óbvio que o colégio não está só nesta empreitada. Não mesmo.

    Se uma criança chega em casa com um objeto que não é seu, os pais não podem achar que aquilo é normal. Eles têm que mostrar que está ERRADO. Se não o fazem SÃO CONIVENTES com este tipo de delito. Acreditar no “achei pai” é ensinar ao filho que pode tomar posse de uma coisa que não lhe pertence. Estes pais estão muito mais errados do que o filho que roubou o objeto do amigo. Que tipo de exemplo está sendo dado se “ok, meu filho, que sorte você teve”? Ou compactuar com o discurso do "achado não é roubado?" O CERTO não é devolver o que não é seu?

     

    Ouvi o seguinte comentário de uma pessoa :

    - Crianças nessa idade, às vezes, agem desta forma.

    Desta idade? Dez, 11, 12 anos?

    Se crianças que estudam num dos melhores colégios do País ainda não sabem que roubar é errado, quando vão descobrir?

    Agora, realmente o que fica martelando na minha cabeça é o que pensam os pais...

    Será que não percebem que o seu filho “não se deu bem”? Seu filho está indo por um caminho errado, o lado errado da força? Seu filho cometeu um ROUBO! E que se não o repreende, está ensinando ao próprio filho que roubar é certo?

    QUE TIPO DE EDUCAÇÃO ESTAMOS DANDO EM CASA?

     

    Bem, esse post é um desabafo. Estou muito chateada com essa situação e prometi ao meu filho que vou me manifestar de todas as formas. Já fui ao colégio ontem. Vou hoje novamente. O que não vou deixar é que fique por isso mesmo. Vou mostrar ao meu filho que a gente TEM SIM que brigar pelos nossos direitos. E não é pelo valor do objeto, mas pela falta de respeito. E por querer ensinar que não podemos nos calar diante de injustiças. Ele pode não recuperar o jogo que roubaram, mas vai aprender uma lição.

    Quem passar por aqui comente. Se puder divulgue.

    ROUBOS NÃO PODEM ACONTECER DENTRO DE UM COLÉGIO.

    QUE TIPO DE CIDADÃOS ESTAMOS FORMANDO?

     

     



    Escrito por Luciana Barcellos às 08h44
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    Apertei o delete

     

    Já escrevi aqui sobre autossabotagem. Já confessei que sou uma ótima autossabotadora. Mas faço sabotagens única e exclusivamente para mim. Já tentaram me censurar aqui. Mas já escrevi que é impossível ter um blog e não se expor e coloquei uma imagem de seios para ilustrar. Só que, às vezes, mostro muito além do que meus seios fartos. 

    Já falei aqui sobre amizades, sobre a minha gata corujada querida, sobre amores platônicos, sobre o beijo perfeito, sobre o que me deixa triste e o que me faz feliz. Enfim, sobre muitos sentimentos. Mas não gosto de dois especificamente: amargura e rancor. Não têm nada a ver comigo. Não sou uma mulher rancorosa. E muito menos amarga. Mas “há dias que eu não sei o que me passa, eu abro o meu Neruda e apago o Sol...”

    Então meu autocensor disparou porque minha ideia não é essa. Apertei o delete, porque não quero textos que tenham algum respingo desses sentimentos ou algo parecido. Agora vou dar uma pedalada na ciclovia ouvindo música e sentindo o vento no rosto, uma das minhas terapias preferidas, porque a vida segue e é muito mais importante.

    Estava em dúvida de uma imagem para ilustrar e me lembrei de uma borracha antiga, que era arredondada na ponta e na outra extremidade tinha uma vassourinha. Mas não achei. Já tive várias desse modelo, mas acho que hoje não existem mais. Elas apagavam e ainda limpavam a sujeira varrendo os restinhos de borracha para fora do caderno. Eram perfeitas! Achei este modelo que é bem parecido. Talvez tenham dado uma modernizada.  

    Enfim, a borracha apagou e a vassourinha limpou tudo.



    Escrito por Luciana Barcellos às 08h32
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    Sobre superstições

    Sou uma supersticiosa atípica. Não tenho o menor problema com gato preto. Aliás, já tive vários. Não desvio por causa de escada e recolho os cacos do espelho normalmente quando quebro algum. Uso roupa preta na sexta-feira, não me benzo ou lavo o pé com água benta quando tropeço numa macumba. Corro na areia de Copacabana. Ou seja, quase impossível não pisar numa macumbinha de vez em quando, chutar uma maçã ou uma palma. Não gosto de santinhos e não uso amuletos esquisitos só porque dizem que vão me dar sorte. Para mim, é tudo bobagem. Não acredito em nada disso.

    Ah, sim... Sou Botafoguense, o que por si só já depõe contra. Botafoguenses são supersticiosos natos. Enjoados. E eu não fujo à regra. Estou usando uma fitinha vermelha do Bonfim no pulso, amarrei com três nós e fiz os meus três pedidos como reza a lenda. Gosto de achar que uma fitinha colorida vai me dar muita sorte e resolver todos os meus problemas. Ou me dar aquele desejo acalentado há muito tempo, me proporcionar um sonho impossível e me dar aquele presentão que eu tanto almejo embrulhadinho num laço de fita bem bacana. Acho bonitinho pensar assim. Já usei várias fitinhas. Confesso que não me lembro se já fui atendida. Já não sei quais foram os pedidos que fiz desta vez. Mas tenho certeza que foram importantíssimos. Enfim, uso porque gosto e acho bonito. Dá sorte? Não sei. Mas gosto de imaginar que sim. Gosto das fitinhas assim como adoro olho turco. Meus brincos de olho turco, por exemplo, têm um significado e uma importância enormes para mim. Sim, acho que eles me protegem. Bobagem? Claro. Mas eu gosto de achar que estou protegida por essas bolinhas azuis.

    Mas têm algumas coisas que eu não acredito mesmo. Também não vou usar outras porque dizem que vai me fazer bem. Se eu não levo fé, não adianta. Vamos combinar que branco, por exemplo, é uma cor que não favorece. Principalmente agora no inverno quando todos estão pálidos e fora de forma. Já usei vestido branco na sexta-feira e voltei para casa imunda depois de tomar um banho de lama e chuva. Com certeza a cor não me ajudou em nada. Uso branco no reveillón, assim como já usei amarelo, verde e até vermelho.

    Não preciso dessas superstições populares porque tenho minhas próprias superstições. Sim, eu crio as minhas. Coisas que para muitos não dizem nada, para mim dizem muito. Como ver um raio de Sol escondido atrás de numa nuvem negra e carregada. Ou ver um arco-íris, ou uma borboleta voando depois de um dia muito difícil, por exemplo. Pode parecer bobagem. Para mim é como se fosse um sinal de que as coisas vão melhorar. Aquilo passa a ter uma força e acaba tornando-se uma superstição pessoal. Tenho certeza de que ver uma borboleta azul traz sorte. Beija-flor também. Pode não trazer uma sorte enorme. Posso não acertar na megasena. Mas, com certeza, aquele dia difícil fica mais bonito. Para mim, já basta.



    Escrito por Luciana Barcellos às 17h39
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    Uma convergência astral boa

     

    É impressionante como em determinadas datas há uma convergência astral na qual vários nascimentos acontecem. Dois meses são campeões na minha vida: março e agosto. Meus meses preferidos. Quando comemoro os aniversários dos meus dois gatinhos. Mas o curioso não é apenas a quantidade de aniversariantes nesses dois meses, mas as datas específicas em que todos comemoram aniversário. Em março, dia 29 é o campeão de aniversários. Conheço três pessoas muito queridas que nasceram neste dia. Mas a segunda quinzena é um festival de aniversários um seguido do outro, começando pelo meu filho mais novo. O que gerou quase uma briga quando eu ainda estava na maternidade:

    #=##??@$&** agora nunca mais vou poder comemorar meu aniversário!”

    Esse comentário “educado” foi de uma amiga querida que “teve o azar” de nascer um dia depois do meu gatinho. E veio antes do “Parabéns! Como está o bebê? Com quem se parece?”, ou aquelas perguntas típicas e comuns que todos fazemos quando alguma amiga está na maternidade. Como eu sou uma pessoa boa, não dei a primeira resposta que me veio à mente.

    Em agosto, essa fertilidade cósmica acontece na semana que vem, coincidentemente na semana do aniversário do meu filho mais velho. É a semana da Dieta do Bolo. Por incrível que pareça, conheço 9 pessoas que comemoram aniversário nesta fértil semana.

    Entre familiares, amigos antigos de longa data, amigos que não vejo há muito tempo mas sei que posso contar sempre, filhos de amigos, amigos recentes...

    Enfim, pessoas encantadoras... Pessoas que são e vão ser sempre muito importantes na minha vida, pessoas que tiveram sua missão... Todos muito queridos e maravilhosos.

    Deve ser uma conjunção astral boa, com certeza! Para todos os virginianos que fazem aniversário na próxima semana... Parabéns!  

    ... 

     

    Ps: Aí vai uma simpatiazinha para dar sorte que li num livro lindo quando eu tinha 10 anos. Infelizmente esqueci o nome do livro, mas era uma história ambientada numa floresta encantada. É para ser feita na véspera do aniversário. Ou seja, quem fizer aniversário amanhã, faça hoje à noite.

    É simples: quando for dormir, suba na cama com o pé esquerdo e vire o travesseiro antes. E, é claro, faça um pedido. Enfim, é só isso.

    Boa Sorte e Feliz Aniversário a todos!

     



    Escrito por Luciana Barcellos às 20h05
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    Sobre o tempo

    Nada como o tempo

    Para nos fazer amadurecer

    Para nos mostrar novos caminhos

    Nada como o tempo para nos mostrar as cores verdadeiras

    Para nos mostrar o caminho certo

    Nada como o tempo para curar feridas

    E secar lágrimas

    Ou simplesmente nos fazer esquecer

    O tempo passa

    E apaga tudo

    Pode demorar

    E, às vezes, parece uma eternidade

    Mas nada como o tempo...

    ... o quadro é do Dali, um dos meus preferidos. Já tive uma reprodução. Mas o tempo levou.



    Escrito por Luciana Barcellos às 19h53
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    Michael está vivo

    Fui a uma festinha infantil neste fim de semana e fiquei impressionada com o que vi. Em vez de Latino, Xuxa e os funks da vez, Jonas Brothers, Drake Bell e similares, a garotada correu para dançar quando o DJ colocou Thriller. Sim. Depois da morte de Michael Jackson, meninos e meninas de 6, 9, 11... que não chegaram a conhecer o cantor quando era negro, tornaram-se fãs dele também. Enfim, o Rei dos anos 80, voltou a reinar nos anos 2000. Bateu uma saudade da minha época, quando dançava os hits do cantor com a mesma empolgação que o meu filho de 9 anos está dançando agora. Ok, meu filho dança muito melhor do que eu. Enfim, como ele é o mais novo fã de Michael, estou aproveitando – e muito – a onda dele, que já comprou DVD, CD e está baixando tudo quanto é clipe que descobre no computador. Bom ouvir. Melhor é acreditar mesmo que Michael não morreu:

    - Mãe, você viu ele sendo enterrado?

    - Não, não vi.

    - Pois é, mãe, ninguém viu. E ele sempre foi meio esquisito, não foi?

    - Sim, filho, depois que ele cresceu ele ficou um pouco.

    - Pois é. Como ele é muito famoso, vivia sendo perseguido e estava devendo muito dinheiro, ele fingiu que morreu para não ter que pagar as dívidas e não ser reconhecido. Já saiu nos jornais lá do exterior, mãe.

    - É, faz sentido...

    - É verdade mãe, o Michael Jackson está vivo!

    - Sim filho. Eu também acredito. Ele está mais vivo do que nunca!

     



    Escrito por Luciana Barcellos às 20h47
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    Uma gata bipolar

    Enquanto a chamada é completada, a minha mão treme e a perna arde.

    - Olá, boa tarde. Por favor, poderia falar com um veterinário?

    - Pois não, pode falar.

    - Bem, é que estou com uma gata que está no cio e eu queria saber se há

    algum remédio...

    - Mas, minha senhora, cio não é  doença.

    - Sim, eu sei. Mas eu fui atacada, estou com a perna sangrando,

    cheia de mordidas e arranhões. Tenho que castrá-la na emergência?

    - Não, não é recomendado agora. E é normal que a gata fique agressiva nessa fase.

    - Ela está mais do que isso, está bipolar. Estava me lambendo antes de me atacar. Depois ficou toda ouriçada emitindo sons esquisitos.

    - Às vezes, as gatas têm esse tipo de comportamento. O ideal seria arrumar um gato.

    - Mas onde vou arrumar um gato? Eu estou trancada no quarto, tremendo, apavorada e com medo de ser atacada novamente.

    - Maracujina pode resolver.

    - Olha, eu sei que estou nervosa, mas eu quero resolver o problema da gata, não o meu.

    - Mas estou sugerindo a Maracujina para a gata. Quando não tem um gato, a Maracujina pode ajudar.

    ... 

    Esse episódio é real. Aconteceu no fim de semana. Estou com a perna toda mordida e arranhada e ganhei uma bela mancha roxa ao tentar fugir. Enquanto escrevo, a Cafeína está roçando no meu pé, como se nada tivesse acontecido.

    Ah, e quanto à Maracujina... Eu que tomei. 



    Escrito por Luciana Barcellos às 20h08
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    Sobre escolhas

    Se o vestibular não tivesse sido anulado por causa de

    fraude no ano que fiz, provavelmente eu teria passado na UFF.

    Mas houve a fraude, e não quis perder o show do Supertramp no

    dia anterior da nova prova. Peguei a maior chuva da minha vida.

    Dormi pouco e há anos não escuto o Supertramp.

    Se eu não fosse tão ansiosa, talvez tivesse aproveitado mais.

    Se eu tivesse parado de fumar mais cedo, estaria com mais fôlego.

    Se eu fizesse mais exercícios, estaria com um corpão.

    Se eu tivesse dito mais sim...

    Se eu tivesse dito mais não...

    Talvez teria sido diferente.

    Enfim, toda escolha pressupõe uma perda.



    Escrito por Luciana Barcellos às 01h27
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    Quero ser garota propaganda da Nokia

     

    Roubaram o meu celular esta semana. Em um ano, é a segunda vez que tenho um aparelho roubado. O primeiro tinha duas semanas de uso. Era um LG bonitinho, mas ordinário. Roubaram, registrei ocorrência e ganhei da operadora um modelo da Nokia, minha marca preferida de celular. E um modelo que era muito melhor. Quase um ano depois, perdi justo este celular da Nokia. Quando descobri que tinham levado o meu Nokia fiquei muito chateada. Arrasada. Não por causa do aparelho, que não era o último modelo. Acho que era o mais simples que estava em cima da mesa. Podiam ter levado dois smartphones e um outro modelo último tipo que também estava dando sopa. Mas não. Lógico, levaram o meu, um Nokia 5310, simples, fininho, que pode ser comprado baratinho em qualquer camelô na Uruguaiana.

    Sim, fiquei triste. Porque esse Nokia simples e baratinho no camelô da esquina, esteve ao meu lado num momento importante da minha vida. Fiquei triste porque perdi fotos, alguns vídeos e gravações importantes. Vídeos felizes , músicas que meu filho gravou para mim... Mas, sobretudo, por ter perdido mensagens que deixei guardadas e que de vez em quando eu relia para matar as saudades. Por ter perdido torpedos que não tive coragem de enviar e ficaram guardados no rascunho. Por ter perdido esboços de textos e, é claro, por ter perdido a minha agenda.

    Eu que tenho uma mega agenda, perdi todos os telefones dos amigos e de pessoas importantes que passaram pela minha vida. Percebi que depois da agenda do celular, a gente não guarda mais nada na memória. Eu, que sabia de cor até o CPF de outras pessoas, me dei conta que já não sei mais de cor nem os telefones de parentes próximos. Não, não tinha nada gravado no chip. Estava tudo na memória do meu Nokia. E o pior, é que como mudei de operadora e fiz um plano para a família, não tenho nem como mudar de empresa agora. E a nova não me oferece nenhum bônus. No exterior, as companhias dão aparelhos em troca da sua fidelidade. Aqui, eu tenho que comprar.

    Bem, como a Oi não quer me dar um aparelho novo e eu não estou com vontade de morrer numa grana para comprar um modelinho bacaninha, resolvi escrever para a Nokia. A resposta foi simpática. Contei sobre o tombo brabo que levei com o aparelho, que devido ao impacto derramou o cristal líquido na tela e deixou uma mancha de quase 1cm.

    Fiquei mais de seis meses com uma mancha preta na tela, que não dava para ler direito alguns torpedos. Num específico, a mancha ficava bem em cima entre uma frase e outra. Detestava a mancha, porque não tinha como ler a resposta. Fiquei na dúvida se era um ponto ou simplesmente uma vírgula. E isso tinha muito significado para mim. Há pouco mais de um mês, a mancha desapareceu. Meu celular voltou ao normal! Era o Nokia Wolverine! Com o fim da mancha, descobri que não se tratava de uma vírgula, como eu tanto quis e acreditei durante tanto tempo, mas de um ponto. Paciência. Durante alguns meses, vivi feliz da vida com a dúvida.

    Mas, voltando ao assunto, ninguém acredita quando conto essa história que a tela de cristal líquido derramou e a mancha diminuiu até sumir totalmente. Fui numa loja e o vendedor disse que não tinha jeito. Meu celular já era. E não foi o que aconteceu. Meu celular voltou ao normal e tenho testemunhas. Infelizmente, roubaram a prova. Mas, quem sabe alguém da Nokia descubra o meu blog, veja que existe um testemunho verdadeiro sobre a marca, e me dê um modelo novinho em folha?

    Enfim, se ninguém da Nokia ler o meu blog, eu tenho algumas possibilidades. A primeira é ganhar de presente de Dia dos Pais! Ok, sou mãe. Então, pode ser presente antecipado de Dia das Crianças! Ou, quem sabe, de Natal? Dia do amigo? Há o Dia da Jornalista Desesperada? Também pode ser presente antecipado de aniversário! Muito melhor presentear agora, antes de todo mundo, do que em março, quando todos terão a mesma ideia. Bem, posso jogar na megasena acumulada e ganhar 56 milhões amanhã... Basta acertar 6 números... Bem, se eu ganhar na megasena amanhã...Ah, isso é assunto para outro post.



    Escrito por Luciana Barcellos às 09h47
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